Sudão: Grupos rebeldes criticam acordo de partilha do poder | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 06.07.2019
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Internacional

Sudão: Grupos rebeldes criticam acordo de partilha do poder

Duas fações se posicionaram contra o acordo entre militares e líderes das manifestações para formar um Governo conjunto de transição. Acordo tenta pôr fim a meses de violência e instabilidade no Sudão.

Grupos de rebeldes sudaneses criticaram este sábado (06.07) o acordo de partilha do poder entre os militares e o movimento pró-democracia do país. Os líderes das manifestações na capital do Sudão e o Conselho Militar de Transição, no poder, tornaram público na sexta-feira (05.07) um acordo para formar um Governo conjunto de transição, após meses de violência.

Uma fação do Movimento de Libertação do Sudão, liderado pelo rebelde Minni Minnawi, afirmou na sexta-feira que um acordo de paz deveria ser alcançado com os grupos rebeldes, antes de se iniciar a transição prevista naquele acordo.

Darfur Rebellenführer Minni Minnawi

Minni Minnawi, líder do Movimento de Libertação do Sudão

Uma outra fação deste movimento, liderada por Abdel Wahid al-Nur, criticou o acordo classificando-o de "traição à revolução". Minnawi juntou-se a uma coligação política composta por manifestantes, enquanto al-Nur recusou-se a participar neste movimento.

As duas partes acordaram estabelecer "um conselho soberano rotativo entre militares e civis por um período de três anos ou um pouco mais", anunciou, em conferência de imprensa, o mediador da União Africana (UA), Mohamed Hassan Lebatt. A oposição sudanesa aceitou retomar as negociações com os militares na quarta-feira, em Cartum, um mês após a rutura causada pela remoção violenta de um acampamento de manifestantes na capital, que provocou mais de uma centena de mortos. 

No domingo passado (30.06), pelo menos sete pessoas morreram e 181 ficaram feridas em várias cidades do Sudão, na sequência das manifestações massivas para exigir a transição para um governo civil.

Mediação

Graças à mediação da Etiópia e da UA, as duas partes chegaram finalmente ao acordo sobre o seu principal ponto de divergência: a liderança do "Conselho Soberano", o órgão que deve supervisionar o período de transição política. Não são conhecidos ainda os detalhes do acordo, mas segundo a proposta dos mediadores o "Conselho Soberano" deverá inicialmente ser presidido por um militar durante 18 meses, antes de um civil assumir o comando até ao final da transição.

Os mediadores da Etiópia e da UA tinham-se reunido na segunda-feira separadamente com a junta militar e com a oposição numa tentativa de aproximar as posições das partes no sentido da formação de um Governo transitório que assuma o poder deixado pela queda do antigo Presidente sudanês Omar al-Bashir, destituído no passado dia 11 de abril, após intensos protestos iniciados em dezembro de 2018.

As negociações entre a junta militar e as Forças da Liberdade e Mudança tinham falhado no início de junho, depois da remoção violenta do acampamento de protesto em frente ao quartel-general das Forças Armadas em Cartum e da ação de repressão que se seguiu nas ruas da capital sudanesa.

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