Sociedade civil cria estrutura de acompanhamento da votação | Angola | DW | 29.08.2012

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Angola

Sociedade civil cria estrutura de acompanhamento da votação

Membros da sociedade civil angolana criaram uma plataforma informática para receber denúncias e possíveis manobras que visam desestabilizar um processo eleitoral que se quer transparente e exemplar

. Luaty Beirão Rapper angolano

Luaty Beirão Rapper angolano

Transformar os cidadãos angolanos em „polícias eleitorais” é um dos objectivos da mais recente iniciativa dos grupos da sociedade civil que têm organizado manifestações anti-governamentais em Angola. Através do site www.eleicoesangola2012.com, o movimento pretende acompanhar a votação no dia 31 de agosto e denunciar incidentes em tempo real.

O site está disponível há apenas 2 dias mas já recebeu mais de 150 mensagens de cidadãos angolanos, com denúncias, queixas e relatos de irregularidades no processo eleitoral.

Foi a pensar nestes incidentes que os grupos de manifestantes da sociedade civil se disponibilizaram para criar uma plataforma informática de acompanhamento das eleições gerais angolanas de 31 de agosto.

Os cidadãos devem ser "polícias eleitorais"

Luanda, capital de Angola,com muitas construções no ano de eleições

Luanda, capital de Angola, com muitas construções no ano de eleições

Luaty Beirão, mais conhecido como o rapper Ikonoklasta e uma das vozes mais críticas do governo de José Eduardo dos Santos, é um dos mentores da iniciativa: “No nosso programa de rádio, tornámos públicas as várias linhas, para as várias províncias do país, a contar com os cidadãos – que estamos a incentivar a serem polícias eleitorais ou fiscais eleitorais informais. Não podendo estar nas assembleias de voto, que se posicionem nas redondezas e que estejam atentos a qualquer irregularidade e as transmitam também.”

Inicialmente, o site iria apenas avançar esta sexta-feira,(31.08) o dia das eleições. O grupo acabou por disponibilizá-lo mais cedo e os resultados, de acordo com Luaty Beirão, estão à vista: “Temos estado já a receber muitas mensagens preocupantes, o site está online e existe então essa fome, essa vontade das pessoas, de participarem e denunciarem de alguma maneira aquilo que estão a verificar. Muitas delas registaram-se num sítio, actualizaram para votarem num certo sítio e agora estão a ir consultar o seu nome e estão numa província diferente.”

Abel Chivukuvuku - Presidente da CASA-CE e candidato às eleições

Abel Chivukuvuku - Presidente da CASA-CE e candidato às eleições

CASA-CE, PRS e UNITA são os partidos em quem o grupo “confia” para ajudar a levar a cabo a missão de acompanhamento do dia das eleições. Luaty Beirão fala em “credibilidade” para justificar a escolha, dentro da oposição ao MPLA, dada também a falta de ONGs certificadas: “A única maneira de isto poder funcionar será articulando com os observadores existentes, dentro das assembléias de voto. E os observadores, normalmente, são de ONGs, mas as cerdíveis, aquelas que nós reconhecemos e que não são meros satélites do regime, não foram credenciadas, portanto, a hipótese fica, em grande parte, afastada. Será então com recurso aos próprios observadores dos partidos que estão nas mesas de voto. Nestas eleições, nós não consideramos a FNLA como sendo um partido credível. Sobra então a UNITA, o PRS e a CASA-CE".

"Podem surgir obstáculos...mas estamos preparados"

Apesar do sucesso, até agora, da iniciativa de denúncia de irregularidades no processo eleitoral, Luaty Beirão sabe que podem surgir obstáculos na sexta-feira: “Pode ser que haja, pode ser que os próprios números de telefone acabem por ser, a dado momento, desligados ou mandados abaixo. Existem maneiras de restringir a eficácia deste mecanismo. Não podemos dizer que estamos preocupados. Estamos preparados, tentamos criar soluções alternativas, mas estamos mentalizados de que eles vão querer criar dificuldades na recolha dessa informação.”

Cientes de eventuais pedras no caminho, no dia do escrutínio, os criadores da plataforma prometem divulgar "em tempo real" informações dos representantes das várias organizações da sociedade civil, acompanhando a votação e o processo de contagem dos votos. Assegurar a transparência do processo eleitoral é o grande objectivo.

Ouvir o áudio 03:12

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