Sociólogo explica como funciona a ″compra″ de votos | Angola | DW | 31.08.2012

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Angola

Sociólogo explica como funciona a "compra" de votos

As eleições gerais em Angola podem mudar o destino de um país nas mãos do mesmo presidente há mais de trinta anos. Porém a compra de voto, o famoso "banho" como é conhecido, ainda é comum em comunidades mais carentes.

Lista eleitoral

Lista eleitoral

Dinheiro, alimentos, emprego e bolsas de estudo. Estas são apenas algumas das ferramentas com que os políticos "banham" os cidadãos em troca de votos nas urnas.

A compra de voto, mais conhecido como "banho" em São Tomé e Príncipe, marcou a campanha eleitoral angolana e poderá influenciar no resultado das eleições desta sexta-feira (31.03), acredita o sociólogo Hector Costa. O cientista estudou o fenómeno deste tipo de suborno em São Tomé e Príncipe.

O pão de cada dia

O esquema da compra de voto é simples, explica Costa. Trata-se de um intrumento alternativo de acesso aos votos dos eleitores, diz.

"Os líderes políticos aproveitam a vulnerabilidade social das pessoas e as pagam para votarem neles. Os eleitores não votam conscientes. O voto é um instrumento para terem acesso a comida."

Algumas das recentes ações de José Eduardo dos Santos, atual presidente e candidato do MPLA, o partido no poder em Angola, também são exemplos do fenómeno, mas em larga escala, comenta Costa. Segundo ele, "quando o presidente angolano inaugurou uma avenida que custou mais de 300 milhões de euros", não passou de suborno, porém de outras dimensões, explica.

Falha na educação

Cidadãos votam em Luanda

Cidadãos votam em Luanda

O "banho" não surge fora de contexto. Em Angola, tal como em muitos países africanos, o fenómeno tem raízes fortes no baixo nível de vida das populações, explica o sociólogo.

Para além da pobreza, também a falta de educação para a cidadania justifica, na perspectiva de Hector Costa, a existência deste suborno político.

"Angola vive neste momento uma fase de transição de paradigmas e ainda não se mobilizou para implementar um sistema educativo para a educação da cidadania, educação política. Não convém aos políticos dar uma educação aos cidadãos, na medida em que um povo informado, conhecendo seus direitos e deveres, reivindica muito facilmente."

Onde há pobreza, diz o sociólogo, não há democracia. Por isso, garantir o bem-estar social da população é condição essencial para extinguir o fenómeno do "banho".

Autora: Maria João Pinto
Edição: Bettina Riffel / António Rocha

Ouvir o áudio 03:31

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