Sissoco promete ″medidas″ caso situação de guineenses em Cabo Verde não melhore | Guiné-Bissau | DW | 10.07.2021

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Guiné-Bissau

Sissoco promete "medidas" caso situação de guineenses em Cabo Verde não melhore

O Presidente guineense voltou a afirmar, esta sexta-feira (09.07), que "é inaceitável que um país irmão deporte um irmão". Sissoco Embaló termina, este domingo (11.07) a sua visita oficial de quatro dias a Cabo Verde.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, reafirmou, esta sexta-feira (09.07), que não aceita a forma como os guineenses são tratados em Cabo Verde, sobretudo na regularização e obtenção de documentos, e prometeu "tomar medidas" para melhorar a situação.

Na sua intervenção num encontro na cidade da Praia com a comunidade guineense residente na ilha de Santiago, no quadro da visita oficial de quatro dias que efetua a Cabo Verde, o chefe de Estado começou por lembrar que os dois países fazem parte da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), onde a coisa mais sagrada é a circulação de pessoas.

"Podemos circular só com bilhete de identidade", salientou Sissoco Embaló, pedindo respeito pelo texto assinado por todos e reafirmando que não aceita as muitas dificuldades enfrentadas pelos guineenses em Cabo Verde, sobretudo na obtenção de documentos e regularização. 

Tal como disse na quinta-feira ao lado do Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, o chefe de Estado guineense voltou a afirmar que os guineenses não precisam de estatuto especial em Cabo Verde, explicando que os cabo-verdianos não precisam de documentos na Guiné-Bissau, desde que falam o crioulo. 

Depois de mostrar a sua indignação ao seu homólogo cabo-verdiano, Umaro Sissoco Embaló disse que vai apresentar as mesmas preocupações ao primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, durante uma audiência na cidade da Praia.

Bildkombo Umaro Sissoco Embaló, Guinea-Bissau & Jorge Carlos Fonseca, Kap Verde

Sissoco Embaló termina, este domingo (11.07), a sua viagem oficial de quatro dias a Cabo Verde.

"Se as coisas continuarem da mesma forma, vamos tomar medidas", garantiu o Presidente, dizendo que manifestou a mesma preocupação ao Orlando Dias, deputado do parlamento da CEDEAO e também ele presente no Salão Nobre da Assembleia Nacional de Cabo Verde para o encontro. 

"Isso tem que acabar", insistiu, expressando em crioulo, pedindo, por outro lado, bom comportamento e respeito pelas regras por parte de todos os imigrantes guineenses em Cabo Verde, entendendo que só assim podem ser respeitados. 

Questionado no fim do encontro pela agência Lusa sobre que medidas promete tomar, Umaro Sissoco Embaló lembrou que os dois países são irmãos e que não está a ameaçar fazer mal. 

"Temos que falar, somos povos irmãos. É inaceitável que um país irmão deporte um irmão", manifestou, em referência aos casos de guineenses que são barrados nos aeroportos cabo-verdianos e depois reencaminhados ao país de origem.

A comunidade guineense residente em Cabo Verde é estimada em perto de 10.000, que vivem e trabalham, mas mais de metade em situação irregular ou sem documentos, apesar das tentativas para legalização, em 2011 (só para guineenses) e 2015 (geral).

O vice-presidente da Associação de Guineenses Residentes em Cabo Verde, Idrissa Djolo, disse que a maioria está na cidade da Praia, mas há também grupos expressivos nas ilhas da Boa Vista e do Sal, e um ou outro um pouco por todo o país. 

Maior problema é "obtenção de documentos”

O representante disse que os guineenses em Cabo Verde representam uma massa laboral muito diversificada, trabalhando em áreas como a construção civil, mas também quadros técnicos e superiores e nos serviços gerais. 

Guinea-Bissau Bissau | Jorge Carlos Fonseca, Kap Verde & Umaro Sissoco Embaló

Jorge Carlos Fonseca (esq.) visitou a Guiné-Bissau em janeiro passado

E o "maior problema" continua a ser a questão da obtenção de documentos, especialmente o cartão de residência, que segundo disse é fundamental para o contrato de trabalho, solicitar nacionalidade, obtenção de créditos bancários, viagens, equivalência nos estudos.

"Sempre falamos de integração social dos guineenses, mas toda essa integração depende dos documentos", mostrou, dizendo-se "triste" com a situação e esperando que a visita do Presidente possa dar "algum impulso" na resolução deste problema. 

Idrissa Djolo reconheceu a "vontade política e o engajamento" do Governo cabo-verdiano através das leis criadas nos últimos anos, e os processos de regularização extraordinária dos imigrantes, mas entendeu que é preciso "fazer mais". 

Muito emocionados, os imigrantes guineenses presentes na sala apontaram muitas outras dificuldades, dizendo já estar "muito cansados", com a secretária de Estado das Comunidades, Salomé Santos Allouche, a afirmar que tudo se resume a integração e documentação. 

A governante pediu ajuda e união de todos e garantiu que o Governo guineense está "muito empenhado" em resolver os problemas, não só em Cabo Verde, mas também noutros países com comunidades guineenses, que prometeu visitar "em breve". 

Depois de dois dias na cidade da Praia, o Presidente da República da Guiné-Bissau estará, este sábado (10.07), em São Vicente, onde permanece até domingo, para visitas a instituições públicas e privadas, entre outras atividades, antes de regressar para Bissau.

Assistir ao vídeo 05:22

Qual é o impacto das greves na Guiné-Bissau?

Leia mais