São Tomé ″na iminência de conseguir alívio ou perdão da dívida″ com parceiros | São Tomé e Príncipe | DW | 09.08.2020
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São Tomé e Príncipe

São Tomé "na iminência de conseguir alívio ou perdão da dívida" com parceiros

Quem o garante é Elsa Pinto, ministra são-tomense dos Negócios Estrangeiros, que afirma que negociações estão bem avançadas com vários parceiros, como Angola e o Clube de Paris.

Afrika | Elsa Teixeira D'Alva Pinto - Außenministerin von São Tomé und Príncipe (DW/R. Graça)

Elsa Pinto

A ministra são-tomense dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades afirmou, este domingo (09.08), que o Governo de São Tomé e Príncipe "está na iminência de conseguir o alívio ou perdão das dividas" com alguns parceiros bilaterais e multilaterais.

"Desde que este Governo tomou posse que dissemos que a nossa divida externa duplicou, os números foram apresentados publicamente e importava que um Estado responsável pudesse discutir com os seus parceiros o fardo da divida, confirmada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)", disse Elsa Pinto à agência Lusa.

A governante, que falava à margem da celebração dos 45 anos do estabelecimento das relações diplomáticas com a Rússia, disse que as discussões no âmbito de um perdão ou alívio da dívida "estão bem avançadas com Angola e com o Clube de Paris". 

"Com Angola, por exemplo, tivemos uma conversa bilateral com o novo ministro e temos as negociações já bastante avançada nesse domínio", disse Elsa Pinto, admitindo que, em breve, sejam rubricados "os instrumentos que antes têm de ser ratificados pelos parlamentos dos dois países".

 "Temos estado em diligências com vários Estados neste âmbito. Com Portugal, felizmente, conseguimos a moratória que vem ajudar bastante, estamos a finalizar com o Clube de Paris, cujo processo está praticamente concluído e dentro de dias será anunciado", acrescentou a chefe da diplomacia de São Tomé e Príncipe.

Em 05 de agosto, o Governo português concedeu uma moratória sobre os empréstimos diretos concedidos a São Tomé e Príncipe.

A ministra dos Negócios Estrangeiros explicou que esses benefícios vão permitir ao seu país investir em outras áreas, sobretudo de natureza social e do setor privado. 

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45 anos da independência de São Tomé e Príncipe

"São Tomé e Príncipe, com a sua dívida aliviada, poderá contrair créditos, sobretudo para o desenvolvimento do setor privado em condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional e permitirá que o país possa desafogar e conhecer um crescimento económico", explicou a governante.

Elsa Pinto, escusando-se a avançar os montantes em causa, disse apenas que o alívio se poderá situar entre um terço e um quatro das dividas.

Relação com Rússia

Na mesma ocasião, Elsa Pinto manifestou o desejo de ver a Rússia usar o seu país como "interposto comercial" com os países da região do Golfo da Guiné. 

"Nós estamos numa zona geográfica que é um grande mercado e a Rússia que está querendo um espaço de intervenção na África poderá utilizar São Tomé e Príncipe como um grande interposto comercial e a partir daqui poder levar tudo o que é de bom para o resto da África", afirmou.

A governante referiu que já apresentou a proposta ao governo da Federação Russa, estando a espera que os dois países analisem a questão e cheguem a acordo.

"Esta foi a proposta que nós apresentamos. Se tivermos cá um interposto comercial, um armazém internacional - tal como fazem os grandes países como a China - em que as pessoas podem vir aqui comprar, ao invés de irem até a Rússia e relançar São Tomé e Príncipe como uma base comercial, o que seria muito interessante para o nosso país", defendeu.

Em 2004, a Rússia perdoou 70% da dívida externa de São Tomé e Príncipe, medida que o executivo são-tomense considerou como "um gesto muito apreciável". 

Agora, as autoridades são-tomenses estão na expetativa de um novo reencontro na cooperação entre os dois países.

"A Rússia acredita que chegou o momento de voltar outra vez para África e África está aqui à espera", explicou Elsa Pinto, considerando que 45 anos depois de estabelecidas as relações diplomáticas com a Federação Russa, ficaram "marcas".

"Temos muita gente que tem a Rússia no coração, sobretudo médicos, engenheiros, uma grande classe que emerge daqueles tempos da União Soviética. Não há melhor coisa do que a relação entre dois Estados", acrescentou a ministra.

 

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