São Tomé e Príncipe: Golpe de Estado de 2003 sob investigação | São Tomé e Príncipe | DW | 19.02.2019
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São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe: Golpe de Estado de 2003 sob investigação

Em São Tomé e Príncipe, ex-primeiro-ministro, Patrice Trovoada, terá sido financiador do golpe de Estado de 2003. Assembleia Nacional criou uma comissão de inquérito para investigar denúncias.

Patrice Trovoada (DW)

Patrice Trovoada (centro)

A Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe criou uma comissão de inquérito para investigar as denúncias de Peter Lopes. Segundo o ex-mercenário do extinto Batalhão Búfalo, na África Sul, o ex-primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, terá sido o financiador do golpe de Estado ocorrido em 2003 nas ilhas, e que visava eliminar fisicamente os antigos Presidentes Manuel Pinto da Costa e Fradique de Menezes e o ministro da Defesa, Óscar de Sousa. 

A comissão parlamentar de inquérito vai investigar o eventual envolvimento do ex-primeiro ministro são-tomense. O grupo foi criado na quinta-feira passada (14.02), com 30 votos a favor das bancadas do partido no poder MLSTP/PSD e da coligação PCD-MDFM-UDD e 22 contra da Ação Democrática Independente (ADI).

Oposição

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São Tomé e Príncipe: Golpe de Estado de 2003 sob investigação

O maior partido da oposição são-tomense insurgiu-se contra a iniciativa, alegando que a "intentona foi amnistiada em 2003", como lembrou Abnildo de Oliveira, líder da bancada da ADI. "Uma questão já amnistiada, não se entende o facto da Assembleia Nacional vir agora reabrir o processo. Nós estamos a favor de que as coisas sejam devidamente esclarecidas."

Quem também contraria a decisão da Assembleia Nacional é Arlindo Ramos, antigo ministro da Defesa no governo da ADI (2014-2018) e atual deputado da bancada do maior partido da oposição. "Nós temos hoje uma sociedade muito crispada e não podem ser os deputados a contribuir para que esta crispação aumente ainda mais. Pelo contrário, devemos pautar por um comportamento que apazigue a sociedade", diz.

Para o MLSTP-PSD e a coligação PCD-MDFM-UDD, o golpe de Estado deve ser investigado. José Barros é deputado do partido no poder. "Se Patrice mandou matar, ele tem de assumir porque a vida pertence a Deus. O medo que tem é porque a prova é viva. Isso tem que ser investigado". 

Danílson Couto, líder da bancada parlamentar do PCD, também aplaude a iniciativa. "Nós temos o hábito neste país de conviver com acusações e deixar por explicar. O povo de São Tomé e Príncipe merece consideração, o mínimo de respeito no sentido de clarificar todas as acusações que pairam sobre a classe política."

Golpe de Estado em 2003

Galerie - São Tomé e Príncipe (DW/R. Graça)

Patrice Trovoada

O são-tomense Peter Lopes, residente na África do Sul, participou no golpe de Estado de 2003. Num vídeo publicado nas redes sociais em 2017, o antigo mercenário do extinto Batalhão Búfalo durante o Apartheid (África do Sul), acusou Patrice Trovoada de financiar o golpe. Disse ainda que o ex-primeiro-ministro são-tomense mandou eliminar os antigos Presidentes Manuel Pinto da Costa, Fradique de Menezes e o atual ministro da Defesa, Óscar Sousa.

"Ele estava envolvido e todo mundo sabe. As autoridades, os mais velhos políticos deste país tem a certeza e sabem, mas não tinham coragem de dizer. Mas todos sabiam que Patrice Trovoada estava 100% envolvido no financiamento do golpe de Estado de 2003."

Peter Lopes, que se encontra neste momento em São Tomé, disse à imprensa que o Ministério Publico não está interessado em averiguar a veracidade dos factos.

"Eu mandei uma carta à Procuradoria-Geral da República. Por que não me responderam? (…) Como souberam que eu ia dizer a verdade, e a verdade iria incomodar muita gente, o Tribunal simplesmente rasgou a minha carta."

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