Ruanda expulsa diplomatas por comemorações antecipadas do genocídio | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 02.06.2020
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Internacional

Ruanda expulsa diplomatas por comemorações antecipadas do genocídio

O Governo do Ruanda acusa dois diplomatas belgas de organizarem uma comemoração do massacre. O evento terá ocorrido a 6 de abril, um dia antes de começar o luto nacional pela morte de mais de 800 mil tutsis, em 1994.

Cemitério com vítimas do genocídio, nos arredores de Kigali

Cemitério com vítimas do genocídio, nos arredores de Kigali

Os diplomatas assinalaram a morte dos 10 soldados de manutenção da paz belgas que foram mortos a 7 de abril, enquanto tentavam proteger o primeiro-ministro ruandês Agathe Uwilingiyimana, que foi morto no mesmo dia. A embaixada belga não se pronunciou até agora sobre o assunto.

As informações constam num comunicado do Governo do Ruanda, que acrescenta que a celebração ocorreu sem que as autoridades tivessem sido informadas.

A 6 de abril fez anos que o avião do Presidente Juvenal Habyarimana foi abatido sobre a capital, Kigali, provocando o genocídio. O calendário das comemorações é altamente sensível para o Governo do Ruanda, uma vez que alguns autores, ou apoiantes do genocídio, alegam que um genocídio contra os hutus começou no dia em que o avião foi abatido.

Assistir ao vídeo 01:17

Sobrevivente do genocídio do Ruanda comemora prisão de Félicien Kabuga

Cerimónias em previstas na lei

Alguns dos principais atos que marcam as cerimónias de comemoração, como a descida da bandeira nacional, que fica a meia haste, estão previstos na lei e, por isso, "não podem ser feitos sem seguirem os procedimentos corretos", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Ruanda.

"O Governo do Ruanda protestou junto do Governo da Bélgica, que decidiu chamar os dois diplomatas", acrescentou na nota.

Naphtal Ahishakiye, secretário executivo da organização dos sobreviventes do genocídio, a Ibuka, disse à agência de notícias Associated Press que os diplomatas belgas se enganaram ao realizar uma comemoração nesse dia, antes do início do massacre.

"Como podem eles começar a comemorar algo que não aconteceu?", perguntou um sobrevivente do genocídio, Emmanuel Ingabire. "Os diplomatas estão a ser arrogantes", rematou.

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