Revista de Imprensa: temas africanos na imprensa alemã | MEDIATECA | DW | 23.11.2012

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MEDIATECA

Revista de Imprensa: temas africanos na imprensa alemã

A situação no leste do Congo, uma possível intervenção internacional no Mali, o papel da diplomacia egípcia no conflito israelo-palestiniano - são estes os principais temas africanos que dominaram a imprensa alemã.

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O Frankfurter Allgemeine Zeitung, na sua edição de quinta-feira, destacou o facto dos rebeldes que atuam no leste do Congo terem anunciado que o seu objetivo é o derrube do regime de Joseph Kabila. Citamos: "Um dia depois dos homens do M-23 terem entrado em Goma, um porta-voz ameaçou avançar para outras cidades, nomeadamente para Bukavu e Kisangani, até chegarem a Kinshasa, para depor o presidente Kabila. Entretanto, em Goma, os rebeldes apelam aos funcionários públicos para que se juntem ao movimento e deixem de trabalhar para a administração central congolesa."

O leste do Congo sempre foi palco de conflitos armados

O Der Tagesspiegel destaca, também, o facto do governo central de Kinshasa ter perdido o controlo sobre a cidade de Goma: "Em Goma Kabila já não governa. Mas isso já não é novidade. O leste do Congo foi sempre palco de conflitos. Não existe região africana mais disputada. As diferentes milícias cometem impunemente atrocidades de toda a espécie e escondem-se nas espessas selvas tropicais. Desde que eclodiu a guerra do Congo em 1998, mais de cinco milhões de pessoas terão perdido a vida. E o número de vítimas aumenta de ano para ano, pois não se vislumbra solução."

O Mali também continua a ocupar as atenções dos jornalistas. A União Europeia está a estudar as possibilidades de enviar Instrutores militares para aquele país oeste-africano, que deverão ajudar a travar o avanço dos rebeldes islamistas no norte do país. Eis o comentário do jornal Der Tagesspiegel: "Os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, reunidos em Bruxelas, deram mais um passo rumo a uma possivel intervenção no Mali. A encarregada dos negócios estrangeiros, Catherine Ashton, já apresentou propostas concretas e tudo indica que elas vão ser aprovadas. O governo alemão já se mostrou disponível a enviar soldados, caso a iniciativa seja enquadrada numa ação internacional que envolva não só a Europa, mas também as Nações Unidas, assim como países vizinhos do Mali, como a Argélia, Marrocos ou a Mauritânia."

Egito ganha peso na diplomacia internacional

O Egito ocupa uma posição de destaque na mediação do conflito israelo-palestiniano. O Süddeutsche Zeitung intitula um artigo da seguinte forma: "Chegou a hora da potência regional: o Egito". O jornal, editado em Munique salienta que a influência dos Estados Unidos tende a diminuir e que, ao mesmo tempo, o presidente Mohammed Mursi, do Egito, tende a ganhar peso. Citamos: "O presidente norte-americano Barack Obama telefonou várias vezes ao seu homólogo Mursi. Isso é um sinal de que as responsabilidades dos mediadores regionais, isto é do Egito, aumentaram. Mursi está muito interessado num cessar-fogo entre Israel e a Faixa de Gaza, porque uma escalada da violência afetaria diretamente o seu país. Os egípcios temem que muitos combatentes islamistas se possam refugiar no Sinai e desestabilizar o Egito."

O semanário Die Zeit "bate na mesma tecla", publicando um comentário com o seguinte título: "Sr. Mursi, ajude-nos, por favor!". Citamos: "Este último episódio da guerra de Gaza trás três novidades: primeira: o conflito do médio oriente voltou a fazer parte da agenda internacional. Segunda: o Egito deu um salto de leão para o palco da diplomacia internacional. Terceira: com a ascenção do islamista Mursi, assistimos também a uma integração do islão político nos bastidores da diplomacia internacional."

As "doces uvas amargas" da África do Sul


Finalmente, destaque para a África do Sul, onde se registam confrontos entre os produtores e os trabalhadores que trabalham nas vinhas. Estes últimos são - regra geral - pagos miserávelmente e, por isso, resolveram fazer greve. O Die Zeit escreve: "Os confrontos são violentos. Mais de 30 hectares de vinha foram já incendiados pelos trabalhadores, causando prejuizos milionários. As uvas de mesa sul-africanas são de altíssima qualidade e exportadas para todo o mundo. Ao mesmo tempo a África do Sul é o sétimo maior produtor de vinho do mundo, com mais de 1200 milhões de garrafas ao ano. Chegou o tempo dessa riqueza se refletir no nível de vida dos trabalhadores."

Autor: António Cascais
Edição António Rocha