Responsabilização criminal? Governador de Nampula trocou residência oficial por hotel de luxo a custo do contribuinte | NOTÍCIAS | DW | 15.05.2019
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Responsabilização criminal? Governador de Nampula trocou residência oficial por hotel de luxo a custo do contribuinte

O Governador de Nampula, Victor Borges, saiu da sua residência oficial por causa de uma praga de ratos. Decidiu mudar-se temporariamente para um hotel até que a sua residência estivesse em condições.

Mosambik - Gouverneur von Nampula (DW/S. Lutxeque)

Victor Borges

O governador da província de Nampula que havia abandonado a residência oficial e instalado num dos hotéis luxuosos da província, por mais de 30 dias, devido a invasão de pragas de ratos no Palácio, cedeu as críticas e regressou a casa.

Victor Borges pediu desculpas ao povo e assumiu o pagamento das suas despesas avaliadas em cerca de um milhão e trezentos e cinquenta mil meticais, cerca de dezoito mil e duzentos euros. Entretanto, críticos exigem comprovativos do pagamento, pronunciamentos do governo central, uma possível investigação pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção e responsabilização, caso se prove a existência de matéria criminal.

Regresso à residência oficial

Mosambik - Hotel Grand Plaza (DW/S. Lutxeque)

Hotel em Nampula

Victor Borges, governador da província de Nampula, está a ser alvo de muitas críticas inclusive nas redes sociais, por ter abandonado a sua residência oficial, e transferindo-se para um estabelecimento hoteleiro, depois de uma suposta invasão de ratos na casa protocolar. Desde sábado, quando o assunto começou a gerar polémica na opinião pública, o governador regressou a casa e reconheceu que o seu gesto tenha sido motivado pelas várias críticas que vinha recebendo.

‘‘Desde sábado passado eu voltei para a residência oficial, é verdade que há algumas coisas que ainda é preciso fazer (reabilitação da residência), mas podem ser feitas estando lá. E quero agradecer a chamada de atenção que resultou após a publicação da notícia (na imprensa nacional) ‘‘.

Pedido de desculpas

O governador já pediu desculpas à população e garantiu ter pago com o seu dinheiro as despesas, mesmo que isso lhe custe empréstimos bancários para o efeito.

‘‘Já estando feito, só posso pedir desculpas de ter saído da residência para o hotel, e não posso fazer mais nada. Perante a indignação das pessoas e achando que essa saída [das verbas] pode provocar encargos financeiros elevados, e não é justo que se impute o erário público com a estadia do governador no hotel, eu já comuniquei ao gabinete do governador que pelas vias que me forem possíveis, eu vou suportar essas despesas pelo tempo em que estive no hotel não imputando ao governo e ao orçamento do Estado'', esclareceu.

Ouvir o áudio 03:15

Responsabilização criminal? Governador de Nampula trocou residência oficial por hotel de luxo a custo do contribuinte

Victor Borges, que assegura não responsabilizar ninguém e muito menos o administrador do Palácio, gastou durante os 33 dias que esteve alojado num dos hotéis luxuoso de Nampula cerca de um milhão e trezentos e cinquenta mil meticais. E de acordo com a imprensa local, que cita funcionários do hotel, diariamente o governante gastava cerca de 40 mil meticais em despesas do hotel com a sua família.

Elogios e possível investigação

Entretanto, analistas louvam a coragem do governante ao assumir o erro, pedir perdão e assegurar o reembolso dos gastos feitos no hotel. Arlindo Muririua é um deles e quer, de facto, que o governador da província mais populosa de Moçambique pague e prove com documentos, uma vez que, segundo disse não se justifica que um governante abandone o palácio alegando uma praga de ratos e em vez de residir nas casas do Estado, agora desocupadas, prefira morar num hotel.

‘‘O governador não podia mudar para um hotel; tem muitas casas protocolares, desocupadas, onde ele devia estar. Os nossos dirigentes só falam que há crise financeira, mas nos cofres há dinheiro. Este caso aqui se ele assume que vai pagar as dívidas que contraiu no hotel é porque o assunto veio à tona. Da mesma maneira que ele prometeu pagar pessoalmente, deve pagar e as faturas (comprovativos) aparecer publicamente para termos acesso e a conta dele (bancária) deve ser controlada para aferir se saiu ou não'', defendeu.

Investigação deve ser feita?

Helena Taipo
Die mosambikanische Polizei überfällt das Zuhause des Renamo-Anführers (picture-alliance/dpa/A. Catueira)

Helena Taipo

Apesar da humildade do governador em abandonar o hotel e assumir as despesas, Arlindo Muririua quer que haja uma investigação e se ficar provada qualquer ilegalidade no caso que Victor Borges seja responsabilizado criminalmente.

No passado Helena Taipo foi detida por alegado desvio de fundos do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), usando empresas singulares em benefício próprio, Arlindo Muririua refere que aqui também há "matéria para investigar”.

‘‘Se é nessa vertente, acho que há matéria para investigar. Vamos ver os preços do hotel, saber quando é que gasta um cidadão comum, empresário e apurar-se que esse um milhão é dívida dele ou poderá voltar para as suas mãos'', disse.

Em Moçambique, recorde-se, são casos raros em que um governante assume os seus erros publicamente e garante ressarcir as despesas.

 

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