República Centro-Africana declara estado de emergência para conter pressão de rebeldes | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 22.01.2021

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Internacional

República Centro-Africana declara estado de emergência para conter pressão de rebeldes

A República Centro-Africana está sob estado de emergência. A ofensiva rebelde na esteira da reeleição de Faustin Archange Touadéra agravou a desestabilização do país, que está quase todo nas mãos de insurgentes.

Uma semana antes da primeira volta das eleições presidenciais e legislativas de 27 de dezembro, seis dos mais poderosos grupos armados da República Centro-Africana aliaram-se para formar a Coligação de Patriotas para a Mudança (CPC). A CPC lançou uma ofensiva armada para tentar impedir a reeleição do Presidente Faustin Archange Touadéra.

Os rebeldes têm levado a cabo ataques esporádicos, geralmente longe da capital, mas dois ataques simultâneos foram repelidos a 13 de janeiro em Bangui, levantando a possibilidade de um golpe de Estado. Já hoje os rebeldes controlam dois terços do território nacional.

A guerra civil na República Centro-Africana foi desencadeada há oito anos pela insurreição dos rebeldes de Seleka, um grupo de milícias predominantemente muçulmano, e pela resposta armada das milícias anti-Balaka, predominantemente cristãs.

Mais tropas internacionais são a solução?

Zentralafrikanische Republik UN-Blauhelm Soldat

Cerca de 12.000 capacetes azuis tentam assegurar a paz na República Centro-Africana

Para fazer frente aos insurgentes estão no terreno, desde 2014, cerca de 12.000 capacetes azuis, para além de centenas de forças paramilitares enviadas pelo Ruanda e pela Rússia no final de dezembro para apoiar Touadéra.

O enviado das Nações Unidas (ONU) para a República Centro-Africana, Mankeur Ndiaye, apelou na quinta-feira (21/01) ao Conselho de Segurança para um "aumento substancial" do número de forças de manutenção da paz destacadas no país. Ndiaye não especificou o número de forças adicionais desejado pela UNMISCA, que é uma das maiores e mais dispendiosas missões militares da ONU no mundo.

O enviado da ONU frisou que, não obstante a necessidade de reforçar a MINUSCA, "a única resposta sustentável é política". Referindo-se à confirmação da contestada vitória eleitoral de Touadéra pelo Tribunal Constitucional do país no início da semana, Ndiaye acrescentou que a reeleição "só beneficiará a nação se o novo executivo for capaz de normalizar a situação", através de um diálogo com a oposição.

A reconciliação na agenda presidencial

Zentralafrikanische Republik | Wahlen | verbrannte Wahlunterlagen

Apesar de irregularidades na votação, o Tribunal Constitucional confirmou a vitória de Touadéra

A coligação de 15 partidos da oposição política, COD-2020, rejeitou a reeleição de Touadéra . A participação no escrutínio rondou os 35%, porque dois em cada três eleitores recenseados não puderam ir às runas devido à situação de insegurança. A oposição argumenta que o presidente foi eleito por apenas 17% da população.

Para Richard Moncrieff, responsável pela África Central no International Crisis Group (ICG), a reconciliação deve ser a máxima prioridade para o Presidente Touadéra. "Antes de mais, há a necessidade de falar com a oposição democrática. O segundo grande desafio é o seu posicionamento face aos grupos armados. Vai ser difícil para ele dialogar com estes grupos, mas é necessário fazê-lo, dado à virulência com a qual semeiam o caos no país", disse Moncrieff à DW.

Toudéra esboçou um primeiro gesto na direção dos seus opositores políticos. "Na sequência da minha investidura vamos lançar a reconciliação nacional a fim de desanuviar o clima político pré e pós-eleitoral", disse o Presidente, após a vitória eleitoral.

O diálogo impossível com os rebeldes

Zentralafrikanische Republik Makunzi Wali UN Hilfslieferung wird verteilt

Muitos centroafricanos depende, de ajuda humanitária externa para sobreviver

Mas as perspetivas para um diálogo com os rebeldes são sombrias. Numa entrevista à DW, o porta-voz governamental Ange Maxime Kazagui disse que Bangui não negoceia com pessoas que se deixam guiar pela "lógica de violência": "Rejeitamos qualquer discussão com grupos que planeiam um golpe contra a ordem legítima", disse.

Os rebeldes têm uma posição menos categórica. "Não estamos fechados a um possível debate", disse à DW o porta-voz rebelde Serge Bozanga, afirmando que já antes das eleições de 27 de dezembro tinha sido acordado um cessar-fogo, que o governo não respeitou.

A situação de enorme insegurança contribui de forma determinante para a fraca prestação económica do país. Apesar da sua riqueza em diamantes e gado, em 2019 a República Centro-Africana foi classificada em 188º lugar entre os 189 países no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Cerca de 71% dos 4,9 milhões de habitantes vivem abaixo do limiar da pobreza, de acordo com o Banco Mundial.

Georges Ibrahim Tounkara, António Cascais e Eric Topona contribuíram para este artigo

Assistir ao vídeo 05:45

Fugir da violência na República Centro-Africana

 

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