Relatório diz que serviços de saúde em Cabo Delgado recusam atender grávidas em fuga | Moçambique | DW | 25.11.2021

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Moçambique

Relatório diz que serviços de saúde em Cabo Delgado recusam atender grávidas em fuga

Relatório de organizações humanitárias alerta para aumento de conflitos entre deslocados e comunidades de acolhimento. Grávidas dizem que caminharam por cinco horas até aos serviços de saúde que recusaram atendê-las.

Mosambik Cabo Delgado | Flüchtlinge in Cabo Delgado nach Terror Angriff in Palma

Imagem de gestante deslocada de Palma (Foto Ilustrativa)

Serviços locais de saúde nalgumas aldeias de Palma, em Cabo Delgado, recusaram atender grávidas em fuga, descreve um relatório de organizações humanitárias que alerta para o aumento de conflitos entre deslocados e comunidades de acolhimento.

"Provas de discriminação contra deslocados foram mencionadas em relação a prestadores de serviços. Mulheres grávidas ou que acabaram de dar à luz relataram ter caminhado durante cinco horas até serviços de saúde para serem rejeitadas", descreve o documento sobre uma missão liderada pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

"A tensão entre anfitriões e deslocados foi identificada e pode tornar-se numa grande preocupação" ligada à "falta de acesso a serviços básicos" e devido a "assistência e recursos naturais limitados", de acordo com as reuniões e conversas mantidas pelas organizações humanitárias com a população.

Mosambik | Straßenszene in Cabo Delgado

Relatório aponta conflito entre deslocados e comunidades acolhedoras

"Relações negativas"

"Ambas as comunidades", anfitriões e deslocados, "sentem que as relações são negativas e parecem estar a deteriorar-se", lê-se no relatório. Há líderes comunitários que negam o acesso de crianças à escola e promovem a exclusão das famílias deslocadas das listas de distribuição de alimentos e outros bens, ouviram os agentes humanitários.

Segundo outro relato, na aldeia de Monjane os deslocados estariam a ser acusados de destruir mudas de caju da comunidade anfitriã e de ocupar casas e abrigos  O relatório sugere que sejam identificados os principais intervenientes na tensão entre comunidades por forma a "desenvolver um plano de coesão social". A tarefa requer maior presença de organizações humanitárias em cooperação com o Governo, o que ainda é difícil por causa dos receios de segurança na zona, lê-se no relatório.

O aumento de conflitos internos é um reflexo de problemas estruturais reiterados no documento: falta comida, serviços básicos, há traumas de guerra e riscos sérios de violência e abusos sexuais contra mulheres e crianças, por vezes por nem sequer haver noção de que não devem ser permitidos.

Assistir ao vídeo 02:45

Moçambique: Cooperativa ajuda mulheres deslocadas de Cabo Delgado

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