1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Referendo na Guiné Equatorial é manobra presidencial

10 de novembro de 2011

Teodoro Obiang prepara nova Constituição para alargar seu mandato presidencial e criar cargo de vice-presidente por nomeação. Para a Human Rights Watch é uma operação de cosmética para o perpetuar no poder.

https://p.dw.com/p/RvlD
Presidente da Guiné Equatorial Teodoro ObiangFoto: AP

O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, indiferente aos protestos da oposição e de ativistas dos direitos humanos, mandou realizar no próximo domingo, (13.11.) um referendo popular para legitimar a sua vontade de alterar a Constituição relativamente ao tempo de duração do mandato presidencial e à criação do novo cargo de vice-presidente da República, por nomeação pessoal.

No poder desde 1979, Obiang pretende limitar em dois mandatos de sete anos a ocupação do cargo de Presidente da República. Paralelamente, será criado o cargo de vice-presidente, que passará a ocupar a posição agora desempenhada pelo primeiro-ministro.

Tudo indica que o destinatário do novo cargo será Teodorín Obiang, o filho mais velho do atual presidente do país que, tal como o pai, está a ser investigado por alegados casos de corrupção e lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, França e Espanha.

Teodoro Obiang Nguema
Presidente Obiang na mira da Human Wrights WatchFoto: AP

Manobra de diversão

O patriarca do clã Obiang, preocupado com as implicações políticas e jurídicas que tais suspeitas estão a ter a nível internacional, antes do referendo, prometeu aos eleitores que vai abrir uma auditoria para apurar casos de corrupção no país.

" O pai e o filho estão envolvidos em muitos casos de corrupção. Perante isto, como se explica a criação desta auditoria, quando os mais corruptos são eles?”, interroga-se Tuto Alicante, director-executivo da organização "EG Justice", que defende os princípios do estado de direito na Guiné Equatorial.

Segundo Alicante, as autoridades do país não distribuíram à população nenhum tipo de informação que explique o alcance e a aplicação das reformas propostas: "99% da população não viu um único papel com essas reformas. Claramente o processo foi antidemocrático, opaco e sem transparência. As propostas são antidemocráticas", disse.

Antidemocracia é a regra

Tuto Alicante, usou a prisão e posterior libertação por falta de provas, no início do mês, de Marcial Abaga Barril, membro do comitê executivo do partido da oposição Convergência para a Democracia(CPDS), para exemplificar a situação antidemocrática que se vive no país. "Esta é a forma como vive a população da Guiné Equatorial. Em qualquer momento, qualquer militar ou pessoa afeta ao poder pode acusar quem quiser sem provas".

Também a organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch e a oposição interna coincidem na interpretação de que o referendo é um artifício usado por Obiang, com 69 anos de idade, para se perpetuar no poder e preparar uma sucessão dinástica para o seu clã familiar.

"O referendo poderia ser uma oportunidade para a democracia. Mas vemos que as mudanças são para afirmar ainda mais o poder que Obiang já tem, e permitir que ele aponte quem vai lhe suceder na presidência. É um passo atrás”, destacou Lisa Misol, da Human Rights Watch.

NO FLASH Äquatorial Guinea Afrikanische Union
Centro de Conferencias de Sipopo, na Guiné Equatorial, um dos mais luxuosos de África, custou mais de 500 milhões de euros e é alvo de suspeitas de corrupçãoFoto: dapd

Autor: Sansara Buriti/Pedro Varanda de Castro
Edição: António Rocha