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RDC: Epidemia de ébola completa um ano

Lusa | AFP | rvp
31 de julho de 2019

O ébola já matou mais de 1.700 pessoas na República Democrática do Congo. E o vírus continua a espalhar-se, com novos registos da doença. A OMS já declarou estado de Emergência Internacional.

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Foto: Reuters/O. Acland

Faz um ano, dia 1 de agosto, que foi declarado um surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC). Este surto, posteriormente, evoluiu para epidemia e já fez mais de 1.700 mortos. Entretanto, novos casos continuam a ser registados. Na terça-feira (30.07), as autoridades cogelesas confirmaram um segundo caso na cidade de Goma, capital da província de Kivu do Norte, na qual residem mais de um milhão de pessoas e que faz fronteira com o Ruanda.

"As nossas equipas de resposta acabam de detetar e isolar um segundo caso e, 'a priori', sem relação com o primeiro", anunciaram as autoridades  num comunicado emitido por funcionários locais e especialistas sanitários.

No ano passado, no início de agosto, foram detetados quatro casos do vírus na província de Kivu Norte, isto depois de dias antes ter sido declarado o fim de um outro surto de ébola. Estes casos, segundo as autoridades de saúde da RDC, tiveram origem na morte e enterro de uma mulher de 65 anos, que contaminou sete familiares. Estes acabariam por falecer devido à febre hemorrágica.

Progressão da doença

A campanha de vacinação começou imediatamente, a vacina admistrada foi a rVSV-ZEBOV, da farmacêutica alemã Merck, da qual dispunham de três mil doses. Passadas apenas umas semanas, no dia 20 de agosto de 2018, o número de mortos atingiu os 55.

Demokratische Republik Kongo l anhaltende Ebola-Epidemie
Autoridades de Saúde em Beni, na RDCFoto: picture alliance/AP Photo/J. Delay

O Governo congolês decretou, então, a gratuitidade dos cuidados de saúde durante um período de três meses, num esforço para limitar o contágio. Houve um crescimento do vírus, que se foi alastrando rapidamente e levou os países vizinhos a tomar medidas. Angola através do seu Presidente da República, João Lourenço, avisou logo que estavam a "tomar medidas preventivas".

Depois, em setembro, já com o registo de 85 mortes na RDC, 54 confirmadas em laboratório, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou que a campanha de consciencialização tinha alcançado 2,5 milhões de pessoas. Esta campanha não foi fácil de realizar devidos ao conflitos armados no país e também devido à resistência da população para receber tratamentos médicos.

A violência nas principais regiões afetadas, como Kivu do Norte e Ituri, levou mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a suspender as suas atividades em Beni (Kivu Norte) no final de setembro de 2018. Em outubro o número de mortos a chegou aos 135 e a OMS reuniu-se pela primeira vez para analisar a situação epidémica e discutir uma possível categorização da epidemia como "emergência global de saúde pública", algo que viria a rejeitar.

Em novembro, o Governo da RDC anunciou que a epidemia de ébola passara a ser a maior da história do país relativamente ao número de contágios.  "[Este surto] acaba de ultrapassar o da primeira epidemia registada na história [da RDC] em 1976 em Yambuku, na província [noroeste] do Equador", afirmou então o ministro da Saúde congolês, Oly Ilunga. 

Kongo Ebola Ausbruch
Foto: Reuters/B. Ratner

Um ano depois

Desde o início da campanha de vacinação, já foram administradas 171 mil doses para combater o avanço desta doença epidémica. A produção da vacina por parte da Merck já começou a acelerar e as fábricas situadas na Alemanha e nos Estados Unidos da América já aumentaram a sua produção.

A OMS classificou, no passado dia 17 de julho, esta epidemia como um estado de Emergência Internacional. Também o Banco Mundial decidiu contribuir com mais 300 milhões de dólares, para combater esta doença, tendo já doado 100 milhões anteriormente. A decisão foi tomada depois de se ter confirmado que a doença já tinha chegado a Goma, uma cidade com cerca de dois milhões habitantes e apenas 20 quilómetros da fronteira com o Ruanda, o que aumentou o risco de propagação.

O Presidente congolês, Félix Tshisekedi, assumiu a supervisão do combate ao ébola na RDC, levando à demissão ministro da Saúde na altura. Desde o início controlo, 140 agentes sanitários foram infetados pelo vírus, provocando a morte de 41.

Este surto, o segundo mais mortífero na história, é apenas ultrapassado pela epidemia que entre 2014 e 2016 atingiu a África Ocidental e que matou mais de 11.300 pessoas. A RD Congo foi palco de dez epidemias de Ébola desde 1976.