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Ramos-Horta pede resolução que apoie os guineenses

Bicho,Francisca10 de maio de 2013

O representante especial do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau quer que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas "falem a uma só voz" no que concerne a um apoio aos guineenses.

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O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se esta quinta-feira (09.05), em Nova Iorque, para discutir a proposta de Ban Ki-Moon, de extensão de mais um ano de missão da ONU na Guiné-Bissau, até a pacificação nacional ser alcançada. José Ramos-Horta, representante especial de Ban Ki-Moon, sublinhou neste debate a necessidade do Conselho de Segurança apoiar o povo guineense, tendo sublinhado que "se um apoio adequado for dado aos programas pró-ativos da diplomacia preventiva, a Guiné-Bissau poderá tornar-se um exemplo brilhante de uma história de sucesso."

Foram estas as palavras de incentivo que o timorense José Ramos-Horta usou na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Após a proposta do secretário-geral da organização, Ban Ki-Moon, de estender por mais um ano a missão da ONU na Guiné-Bissau, o Conselho de Segurança reunido em Nova Iorque discutiu a relevância da continuação do processo de pacificação no país, encabeçado pelas Nações Unidas.

Os membros estão agora a preparar uma resolução que será votada no próximo dia 23 de maio, para a reformulação da proposta feita por Ban Ki-Moon que contempla a abertura de delegações regionais e um segundo representante especial.

ONU deve dar sinal claro de apoio aos guineenses

O actual representante do secretário-geral na Guiné-Bissau apelou aos representantes que participaram no debate para "que falem a uma só voz", adoptando, no próximo dia 23 "uma resolução que dê um sinal claro de apoio" aos guineenses. Para Ramos-Horta, é essencial que o processo de pacificação se mantenha, pois após estar integrado na realidade nacional, acredita que o caminho que o país tem a percorrer ainda é longo.

"Desde o primeiro momento da minha chegada à Guiné-Bissau tenho tido reuniões regulares com a Assembleia Nacional, Corpo de Militares, Líderes Políticos, membros da sociedade civil. Depois deste tempo, na minha humilde opinião é que o problema da Guiné-Bissau deve ser colocado claramente nas mãos da elite política, que falhou durante décadas para o povo", disse. José Ramos-Horta acrescentou ainda que "as consequências do falhanço destas elites inclui violações de direitos humanos, impunidade, crime organizado e tráfico de droga".

No Conselho de Segurança, todos os representantes destacaram a urgência de realizar eleições na Guiné-Bissau até ao final do ano, mas em declarações à agência de notícias Lusa, o embaixador da Guiné-Bissau na ONU, João Soares da Gama, afirmou que o país "não tem condições financeiras para realizar eleições sem o apoio da ONU", tendo Ramos-Horta sublinhado o pedido. "O apoio do Conselho de Segurança e dos membros das Nações Unidas para um novo processo eleitoral no país é imperativo. Na fase pós-eleitoral, será promovida a partilha do poder governamental para reconstruir o país, que agora existe apenas em nome", sublinhou.

Tráfico de droga continua por resolver

Apesar da detenção do ex-chefe da Armada Bubo Na Tchuto, o tráfico de droga continua a ser um problema por resolver no país. Jospeh Mutaboba, ex- representante especial do secretário-geral da ONU, sublinha a urgência do combate ao tráfico de droga. "As autoridades reportaram as actividades criminais em Bissau e acreditam que o que falha são os recursos políciais. Reportaram também que desde 12 de Abril as actividades de tráfico de droga aumentaram no país. O secretário-geral continua a querer alcançar, ativamente com a cooperação da comunidade internacional, a restauração da ordem constitucional na Guiné-Bissau", salientou Mutaboba.
 
No final do encontro, os participantes na reunião realçaram a tendência positiva e consensual entre os atores nacionais e internacionais. Porém, António Gumende, representante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) relembrou que "todo o otimismo em relação à Guiné-Bissau deve ser moderado, devido à complexidade da situação, bipolarização política e à deteriorada situação económica e humanitária".