Rainha Mumusa: Combatente do colonialismo na África Oriental | História de África - Raízes Africanas | DW | 11.07.2018
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História de África

Rainha Mumusa: Combatente do colonialismo na África Oriental

Há cerca de cem anos, no Uganda, uma mulher enfrentou as forças patriarcais, coloniais e sexistas. Resistiu ainda às normas que limitavam, na época, os direitos das mulheres na sociedade.

African Roots Muhumusa (Comic Republic)

Mumusa tinha poderes espirituais, que se acreditava que viriam da lendária rainha africana de Nyabingi

Nascimento: A data exata do nascimento da Rainha Mumusa não é conhecida, mas sabe-se qu viveu entre os séculos XVIII e XIX. Mumusa era a esposa do rei ruandês Kigeli IV. Quando, em 1895, o seu marido morreu e foi negado ao seu filho o trono, ela insurgiu-se contra o poder ruandês e as administrações coloniais. Mudou-se para o Uganda, onde foi capturada várias vezes pelos britânicos e, finalmente, presa em Mengo, em Kapala, capital do Uganda, onde morreu em 1945. Mumusa nunca teve a oportunidade de voltar à sua terra natal.

Reconhecida por: possuir poderes espirituais, que se acreditava que viriam da lendária rainha africana de Nyabingi. Mumusa era descrita pelos governos coloniais como tendo "um caráter extraordinário". A maioria dos seus seguidores nunca viu o seu rosto, jápois o culto exigia que ela se escondesse numa cesta. Mumusa fica na história não só por ter lutado contra as três potências coloniais - alemãs, britânicas e belgas -, mas também por ter resistido às normas que limitavam os direitos das mulheres na sociedade.

Criticada por: alguns dos seus seguidores acreditavam que Mumusa era a própria rainha Nyabingi. Outros viam-na como a reencarnação ou como sendo possuída pelo espírito de Nyabingi, uma rainha ruandesa com o mesmo nome que havia vivido vários séculos antes. Infelizmente, a sua história nunca foi totalmente documentada devido à natureza patriarcal da sociedade e do imperialismo colonial.

Legado: Mumusa inspirou toda uma luta anti-colonial no Ruanda e Uganda. Hoje, os seus defensores veem-na como um modelo e uma verdadeira representação da inclusão e resistência a normas que prejudicam setores da sociedade. O seu espírito mantém-se vivo através do movimento Rastafari.A história de Mumusa foi integrada no movimento Rastafari, onde passou a simbolizar a resistência anti-imperial.

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Quem é a Rainha Mumusa do Ruanda?

Há cerca de cem anos atrás, vivia, na África Oriental, uma mulher feroz: a rainha Mumusa. Numa altura em que as mulheres raramente apareciam na vida pública, esta viúva de um rei ruandês destacou-se por várias razões. A sua luta teve início por questões pessoais quando o poder lhe foi retirado de uma forma injusta. Esposa do rei ruandês Kigeli IV e mãe do seu legítimo sucessor, Mumusa foi vítima de uma intriga após a morte do marido em 1895. Quando lhe foi negado o direito de sucessão, Mumusa insurgiu-se contra o poder ruandês e a administração colonial alemã, que governava o Ruanda.

Poder espiritual

Em entrevista à DW, Mwambutsya Ndebesa, professor de história na Universidade de Makerere, no Uganda, afirma que a influência de Mumusa depressa cresceu. Numa época em que "se usava o poder espiritual para mobilizar a população", a rainha Mumusa liderava um "culto chamado Nyabingi e usou-o como uma ideologia para mobilizar e incutir coragem entre os combatentes", explica o docente.

Mumusa apresentava-se como um médium espiritual de Nyabingi, uma rainha ruandesa que tinha vivido séculos antes. E foi assim, com base nos seus poderes espirituais, que a rainha guerreira africana resistiu e combateu o colonialismo na África Oriental.

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Rainha Mumusa: Combatente do colonialismo na África Oriental

Pouco se sabe sobre a rainha Mumusa. Mas diz-se que era poderosa, inteligente e carismática. Além de ter enfrentado as forças coloniais, fez também frente à mentalidade sexista da altura, resistindo às normas que limitavam os direitos das mulheres na sociedade. Como explica Mwambutsya Ndebesa, "a história das mulheres foi esquecida no sentido em que a História está sempre ao serviço do poder e a história oral tradicional estava ao serviço dos homens e dos reis. Além disso, a história imperial colonial era a história patriarcal cujo ideal era a Europa e não a África". Pior ainda, acrescenta o professor da Universidade do Uganda, nesta época, "as mulheres sofreram uma tragédia dupla: foram eliminadas como africanas e como mulheres".

Os registos coloniais dão conta que os combatentes de Mumusa enfrentaram tropas em toda a região. No entanto, e no final, a sua magia não foi suficiente para fazer vencer as armas modernas. Em 1913, os britânicos prenderam Mumusa e deportaram-na para a sua base de poder em Mengo, Kampala, capital do Uganda, onde morreu mais de 30 anos depois.

Ainda que não seja amplamente conhecida, a história de Mumusa deve ser lembrada porque "representa uma dimensão diferente de luta", afirma Mwambutsya Ndebesa. "A sua imagem deve ser reavivada para que ela se torne uma inspiração para aqueles que pretendem enfrentar determinadas forças que reprimem os marginalizados", assevera.

A história de Mumusa foi integrada no movimento Rastafari, onde passou a simbolizar a resistência anti-imperial, até mesmo para lá do continente africano. O culto Nyabinghi, que Mumusa liderou, deu nome à Mansão Nyabinghi, um ramo do movimento Rastafari.

O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

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