Qualidade do ensino superior continua a reunir críticas em Angola | Angola | DW | 13.07.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Qualidade do ensino superior continua a reunir críticas em Angola

Especialista ouvido pela DW África sugere que as reformas comecem no ensino primário. Governo angolano prevê programas de formação contínua para 25 mil professores até 2022.

Angola Universität Agostinho Neto in Luanda (DW/P. Borralho)

Universidade Agostinho Neto, Angola

O Presidente angolano João Lourenço anunciou, recentemente, que o acesso às universidades públicas e privadas passará a ser feito através da realização de um exame nacional.

Em entrevista à DW África, o conhecido professor da Universidade Agostinho Neto (UAN), Carlinhos Zassala, explica que no "continente africano, nos países da francofonia e da Commonwealth, o exame nacional começa no ensino primário. Depois, [há exames] no ensino secundário e médio, e quando terminam tudo [os alunos] são submetidos a um exame nacional organizado pelo Ministério da Educação". No entanto, no entender deste docente, "o ideal seria começarmos com [exame] no ensino primário e depois passar para o ensino secundário".

Também nas redes sociais, a qualidade so ensino superior no país tem sido criticada. Os perfis dos utilizadores do Facebook dizem que a maioria "está na universidade e trabalha no Ministério da Educação de Angola". Porém, os comentários deixam muito a desejar.

Para o cidadão e internauta Mutu Muxima, a culpa da má qualidade do ensino em Angola "pode ser repartida em quatro: o Ministério da Educação, os professores, o encarregado de educação e o próprio educando". Para Mutu Muxima,  "é o ministério que está acreditado para criar todas as condições para que os angolanos e não só sejam bem formados e informados. É esse mesmo ministério que está viciado com a famosa gasosa desde a inscrição e aprovação de estudantes", frisa.

Soluções

Na opinião do professor universitário Carlinhos Zassala, o caminho para a melhoria do ensino superior no país deve passar pela aplicação do "estatuto da carreira docente, que foi aprovado recentemente. Deve-se aprovar o estatuto remuneratório condigno para os professores universitários para que não se continue a considerá-los como funcionários públicos,  mas sim como académicos. [E deve-se ainda] criar condições para a harmonização dos planos curriculares ao nível nacional".

Ouvir o áudio 02:55
Ao vivo agora
02:55 min

Qualidade do ensino superior continua a reunir críticas em Angola

A primeira fase da reforma educativa começou em 2002, mas a sua eficácia tem sido posta em causa. A monodocência - o mesmo professor a leccionar todas as disciplinas - , por exemplo, é apontada como uma das causas da fraca qualidade do ensino, e é também abordada por Carlinhos Zassala.

O docente não tem dúvidas de que a "reforma educativa no ensino primário em Angola falhou". "O Governo não levou em consideração as premissas daqueles que propuseram esse sistema, aqueles que realizaram as pesquisas, que era o caso por exemplo, de construir o número de salas necessárias para que se tenha no máximo 35 alunos. E também a formação de professores para monodocência".

Em Angola ainda há instituições do ensino superior que trabalham à margem da lei. A ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Sambo, disse, recentemente, que há unidades a trabalhar de forma ilegal.

Mais formação para professores

Esta sexta-feira (13.07), o Governo angolano anunciou novas medidas que visam a melhoria do ensino no país. O Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, aprovado pelo governo e publicado oficialmente a 29 de junho, contém um conjunto de programas com a estratégia governamental para o desenvolvimento nacional na atual legislatura. Entre as medidas planeadas, está a atualização de competências de cerca de 25.000 professores. Os docentes em causa deverão frequentar e concluir, entre 2018 e 2022, programas de formação contínua.

Atualmente, Angola conta com cerca de 170 mil professores, o que cobre cerca de metade das necessidades, face aos 10 milhões de crianças em idade de frequentar o ensino geral.

Em 2018 avança a contratação de 20.000 professores para escolas do ensino geral em todo o país e nos próximos cinco anos está prevista a criação de 17 novos cursos de formação inicial de professores de Educação Pré-escolar, Ensino Primário e Ensino Secundário Geral e Técnico-Profissional, bem como no Ensino Superior Pedagógico, bem como a formação de 149 professores de Educação Especial e Educação de Adultos.

Está ainda previsto, até 2019, a aplicação em todas as províncias da nova regulamentação de recrutamento, colocação e mobilidade de professores, e até 2022 todos os professores em serviço devem obrigatoriamente passar a ter agregação pedagógica.

Algumas destas medidas constam já do Estatuto da Carreira dos Agentes de Educação, aprovado pelo decreto presidencial 160/18, de 03 de julho, após exigência do Sindicato dos Professores Angolanos.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados