Quénia ou Djibuti: Quem entra no Conselho de Segurança da ONU? | NOTÍCIAS | DW | 18.06.2020

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NOTÍCIAS

Quénia ou Djibuti: Quem entra no Conselho de Segurança da ONU?

Quénia e Djibuti voltam a disputar nesta quinta-feira (18.06) o único lugar para os países africanos na eleição dos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Interesses geopolíticos na origem da disputa?

USA | Leerer Saal des UN-Sicherheitsrat

Sala do Conselho de Segurança da ONU

Durante a primeira ronda de votação decorrida nesta quarta-feira (17.06), nenhum dos dois conseguiu o mínimo de dois terços dos votos, ou seja, no mínimo 128 votos em casos de participação dos 193 membros das Nações Unidas.

Em fevereiro, a União Africana (UA) indicou o Quénia para ser representante de África no Conselho de Segurança em votação secreta. Através de uma nota de protesto Djibuti exigia que a União Africana reconsiderasse a sua posição de indicar o Quénia, alegando ser inadmissível e contra as regras do organismo.

Os membros da União Africana justificaram que queriam evitar que a África tivesse três países francófonos no Conselho de Segurança em 2021, com a adesão do Níger e da Tunísia. Mesmo assim, Djibuti recusou-se a retirar a sua candidatura.

 Interesses geopolíticos na origem da disputa?

Afrikanischen Union Fahne

Bandeira da UA

Roba Sharamo, diretor do Instituto de Estudos de Segurança em Adis Abeba, Etiópia, suspeita que interesses geopolíticos possam estar a alimentar essa disputa.

"Há muitas histórias, talvez Djibuti esteja a ser empurrado por potências externas. Havia suspeitas de que talvez alguns países de língua francesa estivessem por detrás disso, mas agora torna-se cada vez mais claro que a China está a empurrar o Djibuti", entende Sharamo.

Com esta disputa entre o bloco francófono e anglófono, é a imagem do continente africano que fica mal na fotografia, considera o analista político, o queniano Martin Oloo.

 "A União Africana quis incentivar apenas um país a candidatar-se. O facto de termos agora dois países explica a grande divisão entre o Ocidente e o Oriente. E, neste caso específico, o Ocidente é suscetível de apoiar o Quénia e o Oriente é suscetível de apoiar o Djibuti", acredita Oloo.

China apoia os dois?

Entretanto, os dois países afirmam que as suas candidaturas estão a ser apoiadas pela China. Mas que papel Quénia ou Djibuti poderiam desempenhar no Conselho de Segurança?

Roba Sharamo responde: "Penso que o continente africano é um ator importante no mundo e é, ao mesmo tempo, o continente que acolhe muitas missões de manutenção da paz, e isso exige alguma voz a esse nível. Penso que é tempo de ter um país africano como membro permanente do CS da ONU, à medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente"

As eleições de quarta-feira (17.06) na ONU contemplaram também a presidência da Assembleia Geral, que a partir de setembro pertencerá ao turco Volkan Bozkir.

Também foram escolhidos quatro membros não permanentes para o Conselho de Segurança, faltando um lugar para os estados africanos. Assim, A Índia, Irlanda, México e Noruega passam a fazer parte do Conselho de Segurança da ONU no início do próximo ano, com um mandato de dois anos.

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