Protesto de engenheiro desempregado em Angola torna-se viral nas redes sociais | Angola | DW | 18.10.2020

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Angola

Protesto de engenheiro desempregado em Angola torna-se viral nas redes sociais

O angolano Bruno Buiti estudou engenharia de petróleo e gás na Ucrânia, mas não tem emprego num país produtor de petróleo - Angola. Uma foto da sua manifestação tornou-se viral nas redes sociais.

Bruno Buiti protesta em frente ao Ministério dos Recursos Naturais e Petróleo, em Angola

Bruno Buiti protesta em frente ao Ministério dos Recursos Naturais e Petróleo, em Angola

O jovem angolano Bruno Buiti saiu de Angola em 2013 e formou-se em petróleo e gás numa das universidades da Ucrânia com ajuda dos seus familiares. Ele diz que não foi fácil terminar a formação por causa da crise económica e financeira que assolou o país, em 2014. Ainda assim, terminou os estudos e regressou ao seu país, em 2018. Desde então, Bruno Buiti não consegue emprego em Angola - um país que é produtor de petróleo.

A ironia chamou a atenção de muitos para os seus protestos, em Luanda. Uma foto da sua manifestação tornou-se viral nas redes sociais - muitos cidadãos partilharam-na e telefonemas começaram a surgir. Entretanto, no momento da conversa com DW África, Bruno Buiti vinha mesmo de uma entrevista de trabalho.

"Eu tive uma entrevista [de emprego] hoje que não muito agradável, [mas] é como tudo. São coisas que acontecem na vida. Foi a primeira entrevista que já tive nesta minha procura por emprego. Não foi das melhores, mas eu continuo aqui para os novos desafios - e bem preparado para dar o meu contributo nossa nação."

Protesto

Bruno Buiti - Ingenieur aus Luanda

Bruno Buiti

Nos últimos tempos, o jovem engenheiro tem se manifestado nas ruas de Luanda para exigir do Estado um posto de trabalho. Já se manifestou, inclusive, em frente ao edifício do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás.

Bruno conta que o resultado deste ato foi um simples telefonema. "Ligou-me um senhor, disse que a sua secretária ligaria para mim, mas, até agora, sem sucesso".

O analista e professor universitário angolano Osvaldo Mboco considera que as manifestações deste jovem nas ruas da capital angolana são um ato normal.

Para Mboco, situações como a de Bruno fazem com que muitos angolanos formados no estrangeiro não regressem ao país.

"A questão económica do país é bastante difícil, o nível de vida é caro e a qualidade de vida não é das melhores. As pessoas não regressam porque falta água e falta luz".

Segundo dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em agosto deste ano, a taxa de desemprego em Angola ronda os 32,7%. A juventude é a mais afetada.

Melhorar o ambiente de negócios

O analista Osvaldo Mboco entende que o Estado deve melhorar o ambiente de negócios para mudar o cenário.

"Se o Estado melhorar o ambiente de negócios conseguirá atrair investidores privados e com isso surgirão novas empresas no país", explica. 

Além de pagarem impostos e contribuírem significativamente para o fluxo financeiro do sistema, explica o analista, estas empresas "também darão postos de emprego aos jovens" e isso "irá reduzir o desemprego e também favorecer o poder de compra às famílias".

Em 2017, durante a campanha eleitoral, o Presidente angolano João Lourenço prometeu criar 500 mil empregos nos cinco anos do seu mandato. Este ano, o seu Executivo voltou a prometer a criação de 80 mil postos de trabalho.

Entretanto, no seu discurso sobre o Estado da Nação, na quinta-feira (15.10), o chefe de Estado angolano reconheceu que o mercado de trabalho se agravou com a pandemia da Covid-19. Ainda assim, disse que foram criados milhares de postos de trabalho.

Assistir ao vídeo 02:29

Angola: Marchas marcam três anos de governação de João Lourenço