Presidente angolano em esforços para mediar tensões entre Uganda e o Ruanda | NOTÍCIAS | DW | 21.02.2020
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NOTÍCIAS

Presidente angolano em esforços para mediar tensões entre Uganda e o Ruanda

Presidente angolano, João Lourenço, foi esta quinta e sexta-feira até à fronteira de Gatuna/Katuna, entre o Uganda e o Ruanda, para mediar as tensões entre os dois países, face a acusações mútuas de ingerência política.

Paul Kagame, Presidente do Ruanda, Yoweri Museveni, Presidente do Uganda, João Lourenço, Presidente de Angola, Félix Tshisekedi, Presidente da RDC na fronteira de Katuna, Ruanda

Paul Kagame, Presidente do Ruanda, Yoweri Museveni, Presidente do Uganda, João Lourenço, Presidente de Angola, Félix Tshisekedi, Presidente da RDC na fronteira de Katuna, Ruanda

No início de fevereiro, sob a mediação de Lourenço em Luanda, os Presidentes Yoweri Museveni e Paul Kagame prometeram não apoiar ações desestabilizadoras nos territórios vizinhos. Agora, a esperança de muitos cidadãos é que a fronteira seja reaberta.

Os populares na fronteira de Gatuna/Katuna, entre o Uganda e o Ruanda, têm sentido na pele as consequências das tensões entre os dois países. Há um ano, o Ruanda decidiu fechar a fronteira e cortou uma via nevrálgica do comércio. Além disso, muitos habitantes ficaram sem poder ver os familiares, que vivem do outro lado.

As consequências

James Kamanzi mora no Ruanda e há muito tempo que não vê os pais doentes: "Afetou-me bastante. A nossa família tem propriedades, os meus pais estão a envelhecer e eu devia ir lá ver como eles estão e como estão as coisas. Eles estão muito adoentados e não os vejo há quase dois anos. Portanto, afetou-me bastante."

Afrika Uganda l Katuna - Grenze zu Ruanda (DW/A. Gitta)

Fronteira de Katuna, Ruanda

Kamanzi conta que o Ruanda tem insistido que nunca fechou a fronteira - alertou apenas as pessoas a não viajarem para o Uganda, porque, segundo o Governo, há cidadãos ruandeses que são detidos e torturados no país vizinho. Mas a verdade é que as pessoas estão impedidas de viajar para o outro lado. Quem vive na fronteira quer apenas que a situação volte ao que era antigamente.

"Faltei a funerais de amigos meus. Não pude estar em dois ou três casamentos de amigos e em dois funerais de vizinhos. E você sabe que, na nossa cultura, temos de lá estar quando se perde alguém", lamenta Kamanzi.

A reabertura da fronteira é crucial para reduzir as tensões políticas e económicas, continua Kamanzi. Os preços dos produtos da cesta básica mais do que duplicaram de há um ano para cá.

"As pessoas estão a perder o emprego e ficaram falidas. Não há dinheiro, não há comércio", conta o residente no Ruanda.

Ouvir o áudio 02:39

Presidente angolano em esforços para mediar tensões entre Uganda e o Ruanda

Os dramas das viagens

A ironia é que a fronteira fechou em Gatuna/Katuna, mas os ruandeses que vão de avião continuam a poder viajar para o Uganda. Só que nem todos podem comprar o bilhete. Cidadãos como Mark Mulindwa optaram por fazer uma viagem mais longa até ao Uganda, passando pela Tanzânia, embora também tenha ficado caro.

"Chamaram-me para fazer uma coisa importante e tive de me organizar. Fui pela Tanzânia até ao posto fronteiriço de Mutukula e depois até ao Uganda. Foi muito caro. Não valeu a pena, mas foi assim. Gastei cerca de 250 dólares", diz Mulindwa.

Analistas acreditam que, mesmo com a reabertura da fronteira, a animosidade entre os dois Estados poderá continuar. O conflito entre o Uganda e o Ruanda dura há décadas.

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