PR angolano considera Bienal de Luanda oportunidade para captar recursos para a paz | Angola | DW | 18.09.2019
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Angola

PR angolano considera Bienal de Luanda oportunidade para captar recursos para a paz

Presidente angolano, considerou a Bienal de Luanda um espaço para atrair parceiros dispostos a contribuir com fundos e recursos para a cultura da paz em África e nas várias diásporas africanas.

O chefe de Estado angolano, João Lourenço, discursava na abertura da Bienal de Luanda-Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, que arrancou esta quarta-feira (18.09.), em Luanda, e decorre até domingo (22.09.), uma organização do Governo angolano em parceria com a União Africana e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

João Lourenço referia-se a empresas do setor público e privado, fundações e organizações filantrópicas, Governos, bancos de desenvolvimento, organizações internacionais, comunidades económicas regionais e comunidades linguísticas, que estejam dispostos a apoiar a cultura da paz em África e nas várias diásporas africanas. 

"Silenciar as armas até 2020"

Portugal Joao Lourenco angolanischer Präsident (DW/J. Carlos)

Presidente angolano, João Lourenço

Na sua intervenção, João Lourenço frisou que uma das grandes tarefas reservadas às lideranças do continente e aos diferentes atores da sociedade civil tem a ver com os objetivos da União Africana, na sua agenda para a promoção de uma cultura de paz e de não-violência denominada "Silenciar as armas até 2020".

Segundo o Presidente angolano, este objetivo é aparentemente difícil de atingir, mas o legado deixado pelos líderes africanos, "que ergueram bem alto a bandeira do pan-africanismo e se bateram por todos os meios para a libertação da África do colonialismo e de outras formas de dominação", constitui uma fonte de inspiração para os esforços conjuntos para pôr fim aos conflitos, que "lamentavelmente persistem no continente".

"Importa encontrar soluções sustentáveis para muitos dos grandes problemas que África ainda vive, como a fome, a miséria, as doenças, o analfabetismo, as desigualdades sociais, o desemprego galopante, o terrorismo, que fomentam o tribalismo e xenofobia, dividindo os africanos, o que atrasa o harmonioso desenvolvimento dos países e o bem-estar das suas populações", frisou.

Troca de ideias

Para o chefe de Estado angolano, a Bienal de Luanda -- Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz representa um passo importante para o aprofundamento do conhecimento das diferentes realidades africanas, para a reafirmação da identidade africana, no plano cultural e artístico, e para uma "troca fecunda de ideias", que concorram para o progresso e o desenvolvimento de África.

Angola Biennale von Luanda (Raul Booz)

Apresentação da Bienal de Luanda, em junho

"Só com paz podemos realmente implementar a zona de livre comércio africano, só com paz o continente pode atrair o investimento privado estrangeiro, industrializar-se, passando a acrescentar valores aos seus principais produtos de exportação", disse.

Uso consciente das redes sociais

Numa mensagem mais direta aos jovens, o Presidente angolano apelou ao uso consciente das redes sociais, porque já ficou demonstrado em vários países o perigo que representam "quando utilizadas para desinformar e alterar a realidade dos factos, com o objetivo de criar convulsões sociais, como meio de pressão para a remoção do poder de Governos legitima e democraticamente eleitos pela maioria dos cidadãos eleitores".

"A crescente importância das redes sociais no seio da juventude deve ser aproveitada, sobretudo para o reforço da cultura da paz e da não-violência", ressaltou.

 A Bienal de Luanda tem como focos temáticos a juventude, paz e segurança, a criatividade, empreendedorismo e inovação, num festival de culturas que inclui cinema, música, artes plásticas e visuais, teatro, dança, moda, design, banda desenhada, videojogos, poesia, literatura, tradição oral e artesanato.

A cerimónia de abertura da bienal contou com a presença dos Presidentes da Namíbia, Hege Geingob, e do Mali, Ibrahim Keita, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, o Prémio Nobel da Paz 2018, Denis Mukwege, entre outras entidades.

 

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