Polícia moçambicana demarca-se de desaparecimento de jornalista em Cabo Delgado | Moçambique | DW | 23.04.2020

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Moçambique

Polícia moçambicana demarca-se de desaparecimento de jornalista em Cabo Delgado

Autoridades de Moçambique distanciam-se de "informações que têm sido vinculadas pela comunicação social", dando conta de que Ibrahimo Abu Mbaruco estaria detido ou teria sido alvejado pelas Forças de Defesa e Segurança.

A polícia moçambicana demarcou-se esta quarta-feira (22.04) da eventual detenção do jornalista Ibraimo Abu Mbaruco, desaparecido há mais de duas semanas em Palma, na província de Cabo Delgado. 

As autoridades "distanciam-se das informações que têm sido vinculadas pela comunicação social, dando conta de que Ibrahimo Abu Mbaruco estaria detido ou terá sido alvejado mortalmente pelas Forças de Defesa e Segurança, alegadamente por ser informante", disse o porta-voz do Comando-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), citado pelo jornal da corporação.

Ibraimo Abu Mbaruco, da Rádio Comunitária de Palma, em Cabo Delgado, terá sido sequestrado ao final da tarde de dia 7 de abril em circunstâncias por apurar, disseram à Lusa familiares e fonte do órgão de comunicação para o qual trabalhava.

Segundo o MISA Moçambique, organização de defesa da liberdade de imprensa, pouco antes do seu desaparecimento, Ibraimo terá enviado uma curta mensagem (SMS) a um dos seus colegas de trabalho, informando que estava "cercado por militares" e o que se passou depois é uma incógnita.

O porta-voz da PRM afirmou que as autoridades estão a investigar o caso, apelando para a colaboração de "todos que tenham informações relevantes para a localização do jornalista".

ONG exigem esclarecimento do caso

Várias organizações internacionais, incluindo a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch e a União Europeia, manifestaram o seu repúdio e pediram às autoridades o esclarecimento do caso.

Cabo Delgado, região onde avançam megaprojetos de extração de gás natural, vê-se a abraços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista e que já mataram pelo menos 400 pessoas nos últimos dois anos e meio.

Symbolbild | Im Norden Mosambiks sind 50 Zivilisten von Dschihadisten ermordet worden

Cabo Delgado continua a ser alvo de ataques de grupos armados

Em 2019, dois jornalistas locais na região que cobriam o tema, Amade Abubacar e Germano Adriano, foram detidos e maltratados pelas autoridades durante quatro meses, sob acusação de violação de segredos de Estado e incitamento à desordem, num caso contestado pelas Nações Unidas e outras organizações.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, admitiu "violações involuntárias" dos direitos humanos pelas autoridades em Cabo Delgado. "Em momentos difíceis como o que atravessamos, somos levados a adotar medidas robustas com vista a defender a nossa soberania e a nossa integridade territorial. Algumas dessas medidas podem involuntariamente propiciar a violação dos direitos humanos", disse Filipe Nyusi.

Protestos contra a polícia

Na terça-feira (21.04), dezenas de pessoas amotinaram-se no bairro Paquitequete, em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, em protesto contra a polícia, que efetuava na ocasião uma operação. Foi neste bairro de Paquitequete que na semana passada a polícia moçambicana espancou um cidadão e reteve um jornalista durante horas, na sequência de uma outra operação.

A violência contra o cidadão, na presença do jornalista retido, foi filmada por populares e gerou uma onda de críticas de organizações não-governamentais e de outras pessoas, principalmente nas redes sociais.

As autoridades moçambicanas contabilizam 162 mil afetados pela violência armada naquela província, 40 mil dos quais deslocados das zonas consideradas de risco e que estão a receber assistência humanitária na capital provincial.

No final de março, as vilas de Mocímboa e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infraestruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.

Na ocasião, num vídeo distribuído na internet, um alegado militante jihadista justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique com o objetivo de impor uma lei islâmica na região.

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