Polícia mata 18 pessoas na Nigéria por violarem confinamento | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 17.04.2020
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Internacional

Polícia mata 18 pessoas na Nigéria por violarem confinamento

As forças de segurança da Nigéria mataram 18 pessoas acusadas de não respeitarem as medidas de contenção definidas pelo Governo para conter a Covid-19, denunciou a Comissão Nacional dos Direitos Humanos.

Num comunicado emitido na noite de quarta-feira (16.04) pela Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Nigéria, a organização diz ter registado 105 atos de violação dos direitos humanos "perpetrados pelas forças de ordem", além de "18 pessoas mortas" em execuções extrajudiciais.

Nas redes sociais começaram a surgir vídeos de violência, retratando imagens da polícia a destruir bancas em mercados e a espancar pessoas. 

Abuso de poder por parte da polícia

A comissão, principal órgão de observação dos direitos humanos no país, acusou as forças de segurança de "uso desproporcionado de força, abuso de poder, corrupção e desrespeito pelas leis nacionais e internacionais". 

Desde 31 de março que vários estados da Nigéria adotaram medidas de contenção, particularmente rigorosas em Lagos, Abuja e Ogun, onde foi decretado o confinamento obrigatório. 

A Nigéria registava ontem 407 casos de infeção pelo novo coronavírus, que causou 12 mortes, havendo 128 casos de recuperação. 

Nigeria Coronavirus Polizei Kontrolle

As regras de confinamento, impostas pelo governo nigeriano, são controladas pela polícia

Polícia rejeita críticas
 
O porta-voz da polícia nigeriana, Frank Mba, lamentou que "a comissão continue a ser demasiado geral nas suas acusações" e que esta confunda as agências de segurança. "A comissão deveria ter dado pormenores sobre os que foram mortos pela polícia, o seu número exato, os seus nomes e a localização dos incidentes, para que pudéssemos tomar as sanções adequadas", afirmou o porta-voz. 

A escassa ajuda governamental não está a permitir o alívio da fome e da cólera na população, tendo havido um aumento acentuado da criminalidade no país nos últimos dias. 

Risco de crise alimentar em África

Observadores internacionais afirmam que os riscos em torno da crise da pandemia de Covid-19 tendem a aumentar em toda a África, não só no que diz respeito à saúde pública e aos direitos humanos, mas também no que diz respeito à economia em geral: na semana passada, o Banco Mundial alertou, nomeadamente, para o risco de uma "crise alimentar" em África. 

A Nigéria tem o maior número de pessoas a viver em extrema pobreza no mundo (mais de 87 milhões em 2018), de acordo com a organização World Poverty Clock. Incidentes como os da Nigeria foram registados em todo o continente africano nas últimas semanas, com destaque para a África do Sul, onde a polícia dispersou na terça-feira, com balas de borracha e gás lacrimogéneo, moradores famintos num subúrbio pobre da Cidade do Cabo. As pessoas estavam furiosas por não terem recebido distribuição de alimentos.

A questão do confinamento estrito e obrigatório tem vindo a levantar muitas questões e críticas em toda a África Subsaariana, onde a grande maioria da população depende da economia informal de alimentos e onde mesmo classe média baixa não possui economia suficiente para viver sem trabalhar.

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