Polícia dispersa protesto junto ao Tribunal Provincial de Luanda | Angola | DW | 27.10.2020

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Polícia dispersa protesto junto ao Tribunal Provincial de Luanda

Cerca de uma centena de pessoas que exigiam a libertação dos manifestantes detidos no sábado (24.10) foram dispersadas com gás lacrimogéneo pela polícia angolana. Jovens prometem manifestações contínuas em todo o país.

O dia até começou calmo junto ao Tribunal Provincial de Luanda, onde 100 detidos estão a ser julgados por desobediência ao decreto presidencial 276/20 que estabeleceu medidas mais restritivas no âmbito da prevenção da Covid-19, quatro crimes de ofensas corporais voluntárias e dois crimes de danos voluntários sobre bens da Polícia Nacional. Separados por uma barreira instalada pelos agentes da polícia e a 100 metros do órgão de soberania – tal como exige a Constituição da República – os manifestantes exigiam pelo segundo dia consecutivo a libertação dos réus detidos na marcha de sábado por melhores condições de vida.

Os manifestantes mantiveram-se no local toda a tarde, gritando palavras de ordem contra o MPLA e os "marimbondos" e exibindo faixas com os dizeres "O desemprego marginaliza" e cartazes. "Se lhes condenarem, Luanda pega fogo", "soltura", "liberdade" apelaram os jovens, entre apitos e palmas, frente a um cordão policial que foi alargado para o edifício em frente ao tribunal, o Ministério das Relações Exteriores (MIREX).

Ao início da noite, no entanto, "o número de manifestantes começou a aumentar e a polícia decidiu dispersá-los. Disparou gás lacrimogéneo e agrediu algumas pessoas. Ainda não se sabe se há feridos", relata o correspondente da DW em Luanda, Borralho Ndomba.

Angola Luanda | Prozess um verhaftete Demonstranten | Sandra Oliveira

Sandra Oliveira, secretária-geral adjunta da JURA, lê o comunicado da organização

Mais protestos à vista

Um desenvolvimento que não demove os jovens angolanos, que prometem "não aceitar uma condenação". Se isso acontecer, explica o correspondente da DW, "prometem que vão responder com violência às ações da polícia, novos confrontos, pneus queimados".

A JURA, braço juvenil do maior partido da oposição, a UNITA, – cujo líder foi detido na manifestação de sábado – já instou "a Polícia Nacional a manter uma postura republicana" sublinhando que "não se responsabilizará pelos danos que o país irá registar".

Num comunicado lido pela secretária-geral adjunta da organização, Sandra Oliveira, a JURA convoca "manifestações contínuas" pela libertação dos detidos e pede à juventude angolana "que esteja presente no Tribunal e em todas as províncias, atenta e vigilante para soar o apito".

"Quando a pátria sangra, todo o sacrifício é pouco", sublinha.

Angola Luanda | Prozess um verhaftete Demonstranten

Sala de audiências do Tribunal Provincial de Luanda esteva cheia, na manhã desta terça-feira

Covid-19 marca julgamento

De manhã, a sala de audiências do tribunal, no Palácio Dona Ana Joaquina, na baixa de Luanda, estava cheia. 23 réus aguardavam audição. Até à publicação deste artigo, apenas oito tinham sido ouvidos. O segundo dia do julgamento, que já se adivinha longo, só arrancou depois das 13h00, depois de as instalações serem desinfetadas e terem sido criadas condições sanitárias.

Em plena pandemia de Covid-19, dois dos manifestantes testaram positivo, estando um deles ainda detido e a aguardar julgamento, embora tenha sido entretanto isolado, segundo um dos advogados do processo.

Os manifestantes, no entanto, desconfiam desta notícia, nota Borralho Ndomba: "Muitas pessoas não acreditam que os detidos estejam infetados, falam numa manobra das autoridades para justificar o decreto que proibia a manifestação".

Assistir ao vídeo 01:16

Luanda: Segundo dia de protestos pela libertação de manifestantes

Leia mais