Petição de personalidades reivindica crioulo como língua oficial em Cabo Verde | Cabo Verde | DW | 13.04.2021

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cabo Verde

Petição de personalidades reivindica crioulo como língua oficial em Cabo Verde

Documento entregue ao Presidente Jorge Carlos Fonseca e aos candidatos às legislativas reivindica crioulo como língua oficial. Personalidades querem a "desocultação da língua no sistema de ensino" cabo-verdiano.

Schule auf den Kapverden Erdkunde-Unterricht

Uma das mudanças seria o aprendizado do crioulo na escola

Uma petição entregue por personalidades cabo-verdianas ao Presidente Jorge Carlos Fonseca esta segunda-feira (12.04) reivindica a elevação do crioulo ao estatuto de língua oficial nacional como o português. O documento foi assinado por professores, investigadores, escritores, linguistas, compositores, historiadores e economistas cabo-verdianos. 

Os 188 signatários assumem que a petição tem como objetivo "instar as/os candidatos a deputadas/os e o futuro Governo [após as eleições legislativas de 18 de abril] a, urgentemente, considerarem as medidas legislativas necessárias à mudança da política linguista para uma mais justa e respeitadora de ecologia linguística da nação cabo-verdiana e dos direitos humanos de natureza linguística".

Entre outros pedidos, defendem a "desocultação da língua cabo-verdiana no sistema de ensino", e "viabilizando a construção de uma base robusta para a aprendizagem consciente da língua materna, da língua segunda e das línguas estrangeiras, e possibilitando o desenvolvimento de uma competência plurilíngue e pluricultural, ferramenta indispensável no atual mercado global".

"O reconhecimento do valor pleno das duas línguas do país como património cultural e também como recursos funcionais, sociais e económicos", lê-se.

Germano Almeida, Schriftsteller aus Kap Verde

Escritor Germano Almeida é um dos signatários

Educação bilingue

As personalidades que assinaram a petição acrescentam a necessidade de "abertura à exploração técnica das potencialidades da educação bilingue para a melhoria da eficácia do ensino da língua portuguesa, e das aprendizagens de um modo geral, considerando os resultados positivos de experiências de ensino em contextos linguísticos semelhantes ou mesmo mais complexos".

O Presidente Jorge Carlos Fonseca instou, no ano passado, a que se acelerem os mecanismos para concretizar o que está previsto na Constituição da República, numa alusão à oficialização do crioulo cabo-verdiano como língua oficial do país.

A posição foi assumida numa declaração divulgada pelo chefe de Estado a propósito do dia mundial da Língua Materna (21 de fevereiro), instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), e na qual enaltece a cultura, história e características únicas do arquipélago unidas pela língua crioula cabo-verdiana.

"Por tudo isso, aqui também tem sentido instar a que se acelerem os mecanismos e se apurem os instrumentos de realização da Constituição da República", refere Jorge Carlos Fonseca, ao terminar a declaração.

Portugal Lissabon - Jorge Carlos Fonseca

Presidente Jorge Carlos da Fonseca recebeu a petição

O que falta

Em causa está o artigo 9.º da Constituição da República de Cabo Verde, de 1992, que define apenas o português como língua oficial, mas que também prevê que o Estado deve promover "as condições para a oficialização da língua materna cabo-verdiana, em paridade com a língua portuguesa".

Os presidentes dos dois maiores partidos de Cabo Verde, Movimento para a Democracia (MpD) e Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) apontam a necessidade de valorizar o crioulo, enquanto elemento de identidade, mas não assumem que seja possível a sua oficialização como língua nacional na próxima legislatura.

As posições foram assumidas em entrevistas à Lusa, no final de março, a propósito das eleições legislativas de 18 de abril, em que os presidentes do MpD e PAICV concorrem à liderança do Governo cabo-verdiano na próxima legislatura, sendo que a Constituição do país estabelece que o crioulo deve ser promovido a língua nacional, em paridade com a língua portuguesa.

Ambos os líderes partidários concordam, mas não assumem compromissos para a próxima legislatura para esse efeito. Janira Hopffer Almada, presidente do PAICV, entretanto, admite que os próximos cinco anos serão para "trabalhar" no sentido dessa oficialização.

Assistir ao vídeo 03:31

Guiné-Bissau lançará plano para tornar o crioulo língua oficial 

Leia mais