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Parlamentar ucraniano procura apoios em Maputo

Lusa
14 de outubro de 2022

O primeiro vice-presidente do Parlamento ucraniano, Oleksandr Korniyenko, está esta semana em Maputo para pedir apoio na guerra contra a Rússia. Moçambique tem mantido a neutralidade em relação ao conflito.

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Votação na Assembleia Geral da ONU a condenar a Rússia devido à guerra na Ucrânia, em março - Moçambique absteve-seFoto: Seth Wenig/AP Photo/picture alliance

"Infelizmente, há dois dias, mais uma vez, Moçambique não se juntou" aos países que condenaram a Rússia na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), referiu Oleksandr Korniyenko, em resposta escrita a questões colocadas pela agência Lusa.

"Notamos a posição consistente de Moçambique" de "não votar contra as resoluções sobre a Ucrânia" desde 2014, abstendo-se ou sem participar nas votações, mas agora o dirigente pede votos de apoio.

Oleksandr Korniyenko (esq.) durante uma conferência de imprensa do partido Servidor do Povo, do Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky
Oleksandr Korniyenko (esq.) durante uma conferência de imprensa do partido Servidor do Povo, do Presidente ucraniano Volodymyr ZelenskyFoto: picture-alliance/Zumapress/P. Gonchar

"Durante todas as minhas reuniões em Maputo, apelarei aos meus interlocutores para apoiarem as iniciativas ucranianas destinadas a combater a agressão russa, nas Nações Unidas, no seu Conselho de Segurança, bem como noutras organizações internacionais", sublinhou.

"Vamos continuar a precisar da máxima assistência possível de parceiros", incluindo "da região africana e especialmente de Moçambique, que foi eleito como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU para o período 2023-2024", referiu.

"Temos muito o que conversar com Moçambique"

Oleksandr Korniyenko está de visita à capital moçambicana com um programa que não foi divulgado.

A viagem surge depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, ter iniciado na última semana um périplo por países africanos, interrompido na segunda-feira devido ao intensificar da guerra.

Korniyenko referiu que um "papel importante no desenvolvimento das relações entre a Ucrânia e os países africanos pertence às relações interparlamentares".

Uma vitória contra a guerra

"É por isso que estou aqui", sublinhou o dirigente parlamentar ucraniano. "Temos muito o que conversar com Moçambique", por entre relações com muitos anos e em que a Ucrânia também já apoiou Moçambique, referiu Korniyenko.

"Em particular, durante a guerra civil, a Ucrânia [na altura parte da União Soviética] prestou assistência a Moçambique, quando muitos dos soldados do seu país foram educados em universidades ucranianas ou receberam formação sob a liderança de instrutores" daquele país, destacou.

Atualmente, os laços com Moçambique vão além dos 50 ucranianos que hoje vivem no país, acrescentou.

"Há um diretor de um banco e um professor universitário entre os ucranianos em Moçambique", mas "há também ucranianos de espírito, ou seja, moçambicanos que outrora se formaram nas universidades" da Ucrânia e hoje "trabalham no Governo e representam o partido no poder". 

Moçambique esteve entre os países que se abstiveram em três resoluções que foram a votos na Assembleia-Geral da ONU desde a invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

A primeira resolução condenou a Rússia pela crise humanitária na Ucrânia devido à guerra, outra suspendeu Moscovo do Conselho de Direitos Humanos e a terceira, que foi a votos na quarta-feira, condenou a anexação de territórios ucranianos pela Rússia, reforçando o isolamento de Moscovo no panorama internacional.

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