Países insulares lutam pela sobrevivência em Doha | MEDIATECA | DW | 06.12.2012
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

MEDIATECA

Países insulares lutam pela sobrevivência em Doha

Os pequenos países insulares são os mais afetados pelas alterações climáticas e pela subida do nível das águas. Por isso, lutam agora por um alargamento do Protocolo de Kyoto em Doha, no Qatar.

Ouvir o áudio 03:49

As Seychelles são um grupo de ilhas no Oceano Índico, a leste do litoral do Quénia e da Tanzânia. Cerca de 90 mil pessoas vivem no arquipélago, ganham dinheiro com o turismo e com a pesca.

Aqui, a população sente os efeitos das mudanças climáticas todos os dias, diz Ronny Jumeau, negociador do clima para as Seychelles. Jumeau está em Doha, no Qatar, para participar na Conferência do Clima das Nações Unidas, que termina esta sexta-feira (07.12).

Nas Seychelles, há sinais de que o clima está a mudar em toda a parte: "As secas estão mais prolongadas, os períodos de chuva mais curtos. Temos mais tempestades extremas, existe erosão nas praias e os recifes de coral estão a morrer, tal como no resto do mundo. Nas florestas, as árvores sofrem com doenças, os solos agrícolas tornam-se cada vez mais salgados", enumera Jumeau.

Futuro problemático

Para outros países insulares ao redor do planeta, o futuro parece ser tão obscuro quanto para as Seychelles. Cientistas calculam que o nível dos oceanos deverá subir entre 90 e 160 centímetros até ao final do século. Alguns arquipélagos poderão, portanto, desaparecer por completo.

Ronny Jumeau está preocupado com o que poderá acontecer às Seychelles. "Se as praias desaparecerem, acaba também o turismo como fonte de rendimento. As mudanças na temperatura do oceano vão afetar o movimento do atum e as ilhas Seychelles têm a segunda maior fábrica de atum enlatado do mundo. Toda a economia das Seychelles depende desses recursos".

Unidos para vencer

Para atuarem com mais força em negociações internacionais, os Pequenos Estados Insulares formaram numa Aliança, a AOSIS, no início dos anos 1990.

Segundo Ronny Jumeau, nenhum grupo é tão decidido quanto a AOSIS. Um exemplo disso foi a na Conferência do Clima da ONU no ano passado. Em Durban, na África do Sul, os Pequenos Estados Insulares exigiram, juntamente com os países menos desenvolvidos, uma solução para o aquecimento global.

Representantes ouvidos pela DW lembram que os países insulares queriam um acordo climático a ser iniciado em 2017, contra a vontade da União Europeia. No final, os países reunidos pela ONU em Durban combinaram iniciar um novo processo de negociações que deverá levar a um novo acordo obrigatório do clima a entrar em vigor no máximo em 2020.

Kyoto é a única alternativa

Ainda assim, a aliança formada com a União Europeia não vingou. Os Pequenos Estados Insulares, por exemplo, criticam atualmente o facto do grupo dos 27 não ter anunciado novas reduções de dióxido de carbono.

As pequenas ilhas insistem na manutenção e no cumprimento do Protocolo de Kyoto, cuja primeira fase vale até o início do ano que vem. Para Ronny Jumeau, é fundamental alargar o prazo do protocolo.

"É o único acordo legalmente vinculativo que temos", refere. "Se Kyoto morrer, teríamos de começar tudo do zero."

Autora: Andrea Rönsberg / Renate Krieger
Edição: Guilherme Correia da Silva / António Rocha