Os Verdes de África concentram-se na cooperação internacional | NOTÍCIAS | DW | 03.07.2019

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NOTÍCIAS

Os Verdes de África concentram-se na cooperação internacional

Na Alemanha e na Europa, os partidos ecologistas estão a alcançar sucesso. Os partidos ambientalistas em África ainda estão longe dos números europeus - mas a crise climática pode mudar isso.

Os partidos verdes de África enfrentam muitos obstáculos para alcançar um espaço na política. O principal motivo é a pouca importância dada a questões ambientais no seio da sociedade. Apesar das dificuldades os ecologistas já conseguem alcançar pequenos sucessos.

Em Moçambique vê-se a mesma situação que na maioria dos países africanos. A proteção ambiental desempenha um papel de menor relevância na esfera pública do que questões de trabalho, saúde e segurança.

Ao contrário dos Verdes alemães, o Partido Ecologista - Movimento da Terra (PEC-MT), de Moçambique, não conseguiu desde a sua fundação em 1997 garantir um lugar no Parlamento.

Mesmo assim, o presidente do partido, João Massango, não pretende desistir. O seu objetivo é garantir pelo menos um mandato parlamentar nas eleições gerais de 15 de outubro.

"Os Verdes, na Alemanha, estão de facto a ganhar notoriedade no contexto mundial. Vimos recentemente agora nas eleições europeias os partidos que conseguiram ganhar assento. Então, tudo isso vem galvanizando os movimentos ecologistas. Para nós em Moçambique, a Alemanha representa um espelho" revela esperançoso João Massango.

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Os Verdes de África concentram-se na cooperação internacional

Como Moçambique está exposto a muitos riscos ambientais, a questão ambiental precisa ganhar mais importância, defende Massango.

"Falar do meio ambiente em África e em Moçambique ainda é utopia para muita gente. Pela sua localização geográfica Moçambique é um dos países que enfrentam vários eventos extremos. Falo de secas, cheias e ciclones à semelhança dos furacões que, de facto, já devastaram Moçambique."

Verdes sem voz

Em outros países do continente africano, os partidos verdes ainda não conseguiram comemorar uma grande conquista política. Mas isso está prestes a mudar, especialmente através da intensificação da cooperação internacional.

A associação "Global Greens", que reúne todas as partidos verdes do mundo, inclui 22 agremiações de África, incluindo o PEC-MT, de João Massango. O objetivo daquela organização é promover as ideias da política verde em todo o mundo como uma rede internacional.

Dorothy Nalubega, secretária de Assuntos da Mulher do Partido Ecologista do Uganda e coordenadora de África do Global Green Women's Network, diz que os partidos verdes são como uma família.

"Partidos verdes são como partidos irmãos. Somos como uma família. O que se passa num outro país leva ao sucesso de um outro partido verde num outro país. Somos encorajados e também lutamos muito para entrar no Parlamento encorajados pelo sucesso visto em outros países."

Dorothy Nalubega

Dorothy Nalubega

Dorothy Nalubega diz que o sucesso dos partidos verdes ainda está longe de ser alcançado em África, porque não existe um movimento ambientalista forte dentro da sociedade, como o movimento 'Sexta-Feira para o Futuro', liderado pela ativista sueca Greta Thunberg, que conseguiu angariar muita atenção na Europa sobre os perigos das mudanças climáticas.

"Eu acho que devemos ter mais deputados no Parlamento” reforça Nalubega.

Recursos financeiros

Outro obstáculo é a falta de recursos financeiros para pequenos partidos ecologistas em África. Por isso, João Massango espera obter o apoio financeiro e logístico dos partidos irmãos mais prósperos da Europa.

Apesar de todos os desafios, os movimentos verdes em África têm algumas pequenas histórias de sucesso, sublinha Dorothy Nabulega.

"Por exemplo, no leste de África, temos o Partido Verde Democrático do Ruanda. Em Madagáscar, temos o ministro do Meio Ambiente, que é do Partido Verde. Na República Democrática do Congo, também temos um Partido Verde”.

Conquistas

No Ruanda, o "Partido Verde Democrático" obteve 4,55% dos votos garantindo dois assentos no Parlamento nas eleições de 2018. No Madagáscar, os Verdes do "Parti Vert Hasin'I Madagasikara" formaram uma coligação com o movimento "Todos Juntos por Madagáscar" ("Tous Ensemble pour Madagascar"), do Presidente Andry Rajoelina, antes das eleições de 2018. Com a vitória eleitoral da coligação, o Parti Vert garantiu um ministro do Meio Ambiente.

Na República Democrática do Congo, o Partido Verde ainda não obteve nenhum assento na Assembleia Nacional, mas o ativista ambiental Didace Pembe Bokiag ocupou por muitos anos o cargo de ministro do Meio Ambiente. O Partido Ecológico do Uganda, de Dorothy Nalubega, ainda não conseguiu um assento no Parlamento. Os Verdes ugadeses querem fazer a próxima tentativa nas eleições parlamentares de 2021.

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