Organismo da UA defende medicina tradicional africana no combate à Covid-19 | NOTÍCIAS | DW | 23.07.2020
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NOTÍCIAS

Organismo da UA defende medicina tradicional africana no combate à Covid-19

O diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana defende a utilização de medicina tradicional africana no combate à Covid-19, mas com os devidos padrões técnicos e de eficácia.

Madagaskar Antananarivo | Coronakrise | angeblich heilender Tee (Getty Images/AFP/Rijasolo )

Estudantes de Madagáscar bebem da garrafa "Covid Organics"

A utilização de medicina tradicional africana no combate à Covid-19 ganhou um novo incentivo.

O diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (Africa CDC), John Nkengasong, defendeu esta quinta-feira (23.07) a utilização deste tipo de medicina no combate ao novo coronavírus.

"Sempre disse que a solução para combater a Covid-19 está na inovação, mas a inovação pode vir de vários sítios, podemos e devemos encorajar a medicina tradicional africana, como se faz com a chinesa, mas temos de garantir que a segurança do remédio é garantida, que a eficácia é assegurada e que os padrões de qualidade são aplicados de forma transversal e abrangente", disse John Nkengasong durante a conferência de imprensa semanal.

No encontro, Nkengasong lembrou que está a ser criado uma comissão precisamente para estudar a eficácia de remédios tradicionais apresentados por alguns países, como Madagáscar e o Gana, como tendo potencial para combater a Covid-19.

E apontou: "Somos a favor da utilização de remédios tradicionais, devemos tornar isso formal e fazê-lo de forma organizada e centralizada".

O chá de Madagáscar 

John N. Nkengasong Afrika Africa Centres for Disease Control

John N. Nkengasong, diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (Africa CDC)

Especificamente sobre a Covid Organics, um chá que as autoridades de Madagáscar garantem curar a Covid-19, apesar de não haver estudos que o comprovem, John Nkengasong disse que apoia a sua utilização, mas está "à espera que o Governo de Madagáscar envie um dossier com as conclusões científicas".

O chá, amplamente noticiado na comunicação social e cujos efeitos estão por provar, foi também utilizado em alguns países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), como a Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, mas sem que seja conhecido qualquer caso de cura devido a este chá.

Hospitais sobrecarregados

Madagáscar registou oficialmente 7.548 casos de Covid-19, incluindo 65 mortes, mas nos últimos dias o país assistiu a um aumento significativo do número de casos que está a estrangular a capacidade hospitalar, segundo a agência de notícias francesa, a AFP, divulgada esta semana, e na qual os diretores dos principais hospitais da capital alertavam para a falta de camas para tratar os doentes infetados com a Covid-19.

Na conferência de imprensa semanal, o diretor do CDC Africa disse ainda que o aumento de 19% no número de casos está em linha com os números da semana passada, representando um aumento de 123 mil novos casos, o que equivale a 17 mil casos por dia.

Assistir ao vídeo 01:11

Covid-19: Guiné-Bissau recebe carregamento de chá de Madagáscar

"Ainda temos uma forte hipótese de afastar a pandemia, por exemplo através da generalização da utilização de máscaras e mantendo o cumprimento das recomendações das autoridades sanitárias", conclui o responsável. 

A importância da máscara

Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) ressalvar que uso de máscara só por si não é suficiente para proporcionar um nível adequado de proteção ou o controlo das fontes de propagação da Covid-19, o seu uso não deve ser negligenciado.

Um relatório do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, publicado esta terça-feira (21.07), reforça isso.

Em maio, dois cabeleireiros de um salão do estado norte-americano do Missouri trabalharam durante cerca de uma semana infetados com o novo coronavírus, expondo 139 clientes à Covid-19.

Entre 67 clientes testados para a SRA-CoV-2, todos os resultados dos testes foram negativos. A adesão à política de cobertura facial da comunidade e da empresa provavelmente mitigou a propagação da SRA-CoV-2, concluiu o relatório do CDC.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 617.500 mortos e infetou mais de 15 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço da AFP.

 

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