Oposição angolana mostra cartão amarelo a João Lourenço | Angola | DW | 15.10.2019
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Angola

Oposição angolana mostra cartão amarelo a João Lourenço

No seu discurso sobre o estado da nação, o Presidente João Lourenço disse que "Angola está no caminho certo". UNITA repudiu a repressão policial contra jovens que pretendiam realizar protesto em frente ao Parlamento.

O chefe de Estado angolano proferiu esta terça-feira (15.10), no Parlamento, em Luanda, o seu discurso sobre o estado da nação, na sessão solene de abertura do novo ano parlamentar. A longa mensagem de João Lourenço foi alvo de apupos por parte dos deputados da União para a Independência Total de Angola (UNITA), o maior partido da oposição, que consideraram incorretos os dados avançados pelo Presidente.

João Lourenço fez um balanço extensivo dos seus dois anos de governação e afirmou que o seu foco continua a ser a boa governação, a defesa do rigor e da transparência em todos os atos públicos.

A luta contra a corrupção e a impunidade, a reanimação e diversificação da economia, bem como o resgate dos valores da cidadania e a moralização da sociedade, segundo o chefe de Estado, constituem fatores indispensáveis para se garantir o progresso social e o desenvolvimento sustentável de Angola.

"Angola está no caminho certo"

Sobre a crise económica e financeira que fustiga o país e o elevado nível de inflação, João Lourenço disse que o problema não poderá ser resolvido em pouco tempo.

"A crise económica em Angola não é de hoje, não tem dois anos, ela começou realmente em 2014 e foi-se agudizando, não só por força da baixa constante do preço do petróleo no mercado internacional, mas sobretudo pelo facto de o país se ter endividado e estar a honrar o serviço da dívida acordada com os credores com colateral petróleo, modalidade penosa e desvantajosa para o devedor", destacou o chefe de Estado angolano.

Ouvir o áudio 02:29

Oposição angolana mostra cartão amarelo a João Lourenço

Apesar das constantes reclamações dos cidadãos que se queixam do custo de vida que está cada vez mais alto, e que esperam por soluções imediatas, o Presidente pediu calma, tendo acrescentado que o seu governo está a levar o país para o caminho certo.

"Angola está no caminho certo, precisamos todos - governantes e governados - de trabalhar árdua e permanentemente, e não ter pressa de colher aquilo que não semeámos ou, se o fizemos, não está maduro para consumir. Não esquecer o velho ditado: O apressado come cru", sublinhou.

Manifestação reprimida

A abertura do ano parlamentar ficou também marcada por uma manifestação reprimida pelas autoridades, antes do discurso de João Lourenço. A polícia usou porrete e gás pimenta contra duas dezenas de jovens que pretendiam manifestar-se em frente à Assembleia Nacional.

Assistir ao vídeo 00:46

Ativistas feridos e detidos em protesto em Angola

Há registo de vários feridos e detidos. Os manifestantes queriam, pela terceira vez, exigir a realização de eleições autárquicas em todos os municípios do país. "Como é possível, num dia como hoje, em que o Presidente vem falar para sociedade e diz que tem liberdade expressão no país, os jovens acabarem por ser presos por se manifestarem?", lamentou o deputado David Mendes, da bancada parlamentar da UNITA.

"Por isso é que a UNITA fez do cartão amarelo uma advertência porque o país tem de ir para frente. Um país sério não pode prender cidadãos por se manifestarem", declarou David Mendes, afirmando ainda que não há liberdade de expressão em Angola.

O deputado também considerou o discurso "dececionante". "O Presidente falou de mais de 100 mil empregos. Não vimos 100 mil empregos e os jovens sabem que não houve 100 mil empregos", destacou.

Ouvido pela DW África nas ruas de Luanda, o jovem Honorato, que trabalha como motorista, entende que o Presidente angolano devia antes falar sobre a cesta básica. "Desde a entrada dele, o preço da cesta básica subiu e não está estabilizada. Ao dizer que o apressado come cru, o Presidente está a fugir das suas responsabilidades. Ele estava no partido quando desviaram os recursos", criticou.

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