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ONU: "Guiné-Bissau pode ter um futuro melhor"

Lusa
23 de dezembro de 2020

O presidente do Conselho de Segurança da ONU, Jerry Matjila, disse que o encerramento da missão política na Guiné-Bissau (Uniogbis) significa que "há algo de bom a acontecer em África".

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UN Sicherheitsrat | Südafrika
Jerry Matjila (centro)Foto: picture-alliance/Photoshot/Li Muzi

Jerry Matjila, representante permanente da África do Sul nas Nações Unidas, afirmou, em conferência de imprensa na sede da organização, em Nova Iorque, que está satisfeito com o progresso do Gabinete Integrado para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (Uniogbis), que culmina com o encerramento, no próximo dia 31, depois de 21 anos em atividade.

Segundo a Lusa, o representante sul-africano elogiou o encerramento das missões políticas da ONU na Guiné-Bissau e no Burundi e a transferência de recursos para as respetivas equipas de coordenação nacionais: "Acreditamos que estes dois processos indicam que há algo de bom a acontecer em África".

Bildergalerie UN Hauptquartier Fahne Flagge
Missão política da ONU na Guiné-Bissau foi criada em 1999Foto: Fotolia/ben_photos

"Estamos satisfeitos com os relatórios, com a forma como as coisas se mexeram (...) por chegarmos a um ponto em que podemos dizer [à Guiné-Bissau]: estão por vossa conta, vamos apoiar-vos, mas por favor, estejam unidos", acentuou o presidente do Conselho de Segurança da ONU durante o mês de dezembro.

Comunidade unida e em diálogo

Para Jerry Matjila, é importante que toda a comunidade da Guiné-Bissau esteja unida e em constante diálogo, para procurar um futuro melhor nesse país que é "gigante em recursos naturais e com tantos recursos marinhos".

"Tal como o resto da África ou como Cabo Verde, Guiné-Bissau pode ter um futuro melhor", sublinhou.

O sul-africano lembrou que o Conselho de Segurança fez uma visita oficial à Guiné-Bissau em 2019, onde se reuniu com "todas as partes políticas, parlamento, Presidente, ministros, partidos políticos, juventude e políticos".

"Dissemos que o destino da Guiné-Bissau está nas suas próprias mãos", sublinhou Jerry Matjila, acrescentando que a União Europeia (UE), Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO), ONU, União Africana ou países de língua portuguesa têm poderes limitados, "mas o resto está nas próprias mãos" do país.

A presença de mais de 20 anos da Uniogbis na Guiné-Bissau incluiu a realização de eleições e o estabelecimento da paz, enquanto os recursos das Nações Unidas eram mobilizados e integrados no país, em linha com objetivos do desenvolvimento sustentável.

Guinea-Bissau Gesamtaufnahme der Stadt Bissau
"O destino da Guiné-Bissau está nas suas próprias mãos", diz Jerry MatjilaFoto: DW/I. Danso

País vai continuar a ser acompanhado

A missão política da ONU na Guiné-Bissau foi criada em 1999 na sequência do conflito político-militar no território. Depois de 21 anos, a cerimónia de encerramento da missão foi realizada este ano, em 11 de dezembro.

O processo de desenvolvimento do país vai continuar a ser acompanhado através do representante especial das Nações Unidas para a África Ocidental e pelo coordenador residente das agências da ONU no país.

No mês de dezembro, a intenção de Jerry Matjila foi fazer o Conselho de Segurança "ouvir África", defendendo a implementação "do conteúdo e espírito" do capítulo oitavo da Carta das Nações Unidas, sobre o papel e mobilização das organizações regionais, como União Africana, em conflitos regionais.

O presidente cessante do Conselho de Segurança defendeu que os cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), têm de reconhecer a importância das organizações regionais e sub-regionais no continente africano.

Tendo sido o foco da África do Sul como presidente do Conselho de Segurança dar mais atenção ao continente africano, processos como o da Guiné-Bissau indicam que "os líderes africanos estão a assumir a responsabilidade, com os seus povos, para resolver complicações de longo termo", disse Jerry Matjila.

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