ONG alemã apoia combate à Noma na Guiné-Bissau | MEDIATECA | DW | 05.11.2012
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

MEDIATECA

ONG alemã apoia combate à Noma na Guiné-Bissau

A organização não governamental alemã "Hilfsaktion Noma" reforça a sua ajuda no combate ao cancro oral na Guiné-Bissau. A doença Noma atinge normalmente crianças, deforma o rosto e pode matar.

Ouvir o áudio 03:31

A Noma é uma doença que atinge geralmente crianças entre dois e seis anos de idade. A África subsaariana é a região do mundo mais afetada porque as causas da doença estão fortemente ligadas à pobreza.

A organização não governamental "Hilfsaktion Noma" já opera no Níger e que desde 2008 intervém na Guiné-Bissau. Em entrevista à DW África, Ute Winkler-Stumpf, fundadora da ONG alemã anunciou que a partir de 20 de novembro, a sua organização estará ativa em Bissau:

"A Guiné-Bissau procurou-nos porque houve um caso de Noma no país e o hospital não sabia como lidar com a doença em 2008. Fomos para lá e evacuamos o paciente para o Níger e assim se iniciou o contato. Em sequência, o governo do país perguntou se poderíamos formar o pessoal médico e ajudar a lutar contra a Noma no país. As intervenções são esporádicas", explica Winkler-Stumpf.

140 mil novos casos todos os anos

Ute Winkler-Stumpf fundou a "Hilfsaktion Noma" em 1994. Desde lá, foram criados centros de atendimento e são fornecidas ajudas a hospitais sem capacidade para lidar com a doença.

Segundo uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 140 mil novos casos de Noma são registrados todos os anos. De acordo com Winkler-Stumpf, a doença se encontra em todos os países africanos. E normalmente, não é mencionada, já que é ligada à pobreza. "A maioria dos países nega a doença em seu país", acrescenta.

A Noma afeta os tecidos faciais moles e deforma o rosto, o que facilita a identificação de pacientes. Mas Winkler-Stumpf explica que existem outras implicações: "Há uma certa resistência em quase todos os países porque na maior parte das vezes essa doença aparece repentinamente e parece tão miserável que é apontada como maldição e é vergonhosa. Daí a dificuldade em falar abertamente da doença".

A fundadora da ONG "Hilfsaktion Noma" deixa um alerta: "É preciso, em primeiro lugar, quebrar um tabu. Dizer às pessoas que se trata de uma doença e que é facilmente tratável. Quando é detetada a tempo, é curável com penicilina", esclarece.

Os sintomas

Winkler-Stumpf afirma que qualquer mãe pode reconhecer a doença se notar que a criança tem problemas na boca. "Vem mau cheiro da boca e a criança têm fortes dores de dentes. Precisa levar a criança a uma estação, como o nosso centro de tratamento, para esclarecer se é uma doença dentária ou Noma, para prosseguir com o tratamento adequado", acrescenta.

Construir o centro Noma em Bissau não foi problemático, afirma Winkler-Stumpf. O governo na capital ofereceu todo o apoio, chegando mesmo a oferecer um terreno.

A maior dificuldade foi conseguir materiais não existentes no país. Mas apesar dos obstáculos, a partir de 20 de novembro, os guineenses interessados poderão ir ao bairro Penha-Prisão e receber ajuda da "Hifsaktion Noma".

A ONG consiste principalmente na prevenção e sensibilização. Se necessário, foca no tratamento e acompanhamento, seguido da reintegração para que a criança possa regressar à escola.

Autora: Carla Fernandes
Edição: António Rocha / Bettina Riffel