Oleoduto Uganda-Tanzânia será o mais longo do mundo | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 14.04.2021

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Internacional

Oleoduto Uganda-Tanzânia será o mais longo do mundo

Megaprojeto é comemorado pelo Governo ugandês como um marco histórico. Ativistas advertem para danos ambientais e humanos: "Não foi negociada indemnização às pessoas atingidas".

East Africa Oil Pipeline Abkommen | Samia Suluhu Hassan und Yoweri Museveni

Encontro entre Hassan (esq.) e Museveni para acordo do oleoduto

Os governos do Uganda e da Tanzânia assinaram acordos com as companhias petrolíferas Total, da França, e CNOOC, da China, para a construção de um oleoduto para transportar petróleo bruto do Uganda para um porto da Tanzânia no Oceano Índico.

A construção do oleoduto, que seria o mais longo do mundo, a 1443 quilómetros, deverá começar este ano. A assinatura dos acordos, que teve lugar este domingo (11.04) no Uganda, contou com a presença da nova líder da Tanzânia, a Presidente Samia Suluhu Hassan, e foi descrita como um marco histórico pelo Presidente ugandês, Yoweri Museveni.

No Uganda, o megaprojeto de mais de 3,5 mil milhões de dólares [2,9 mil milhões de euros] está a ser recebido com muita expetativa por uns, mas com algum ceticismo por outros.

Uganda Unterschrift EACOP in Kampala

Acordo foi comemorado por Museveni (dir.)

Pedido de cancelamento

Numa declaração emitida esta terça-feira (13.04), um grupo da sociedade civil liderado pelo Instituto Africano para a Governação da Energia exortou os governos do Uganda e Tanzânia e as empresas petrolíferas a cancelarem os acordos. O grupo argumenta que não houve negociação para que as famílias a serem afetadas pelo oleoduto sejam indemnizadas, e o projeto terá lugar numa zona de conservação ecologicamente sensível.

"A informação que está a ser partilhada pelas empresas e os governos não é o tipo de informação crítica que é necessária. Por isso, eles podem até exibir na televisão a assinatura destes acordos, mas o conteúdo dos acordos não é revelado. E já vimos anteriormente que quando o Uganda assinou acordos secretos, os ugandeses ficaram a perder", adverte Diana Nabiruma, chefe de comunicação do Instituto Africano para a Governação da Energia.

O governo responde a estas críticas com as já conhecidas "cláusulas de confidencialidade”. Segundo o Secretário Permanente do Ministério da Energia e do Desenvolvimento Mineral, Robert Kasande, apesar do Uganda ser membro da Iniciativa de Transparência das Indústrias Extrativas, não é obrigado a tornar públicos todos os acordos.

Logo Total am Hauptsitz in Paris

Empresa francesa total tem negócios também em Cabo Delgado, Moçambique

O que dizem os cidadãos

"Temos muitas expectativas. Espero que quando o governo receber dinheiro do petróleo, o invista em educação. Não temos nenhuma universidade na região. E, depois, esperamos que o governo trabalhe com as empresas petrolíferas para garantir que os jovens tenham emprego", opina Robert Kyomuhendo Ruhigwa, morador de Albertine - onde há mais de 15 anos foi descoberto petróleo.

Já Christopher Kiseeka não escondem o ceticismo. Residente em Kampala, o jovem diz não ter grande expectativas de que o setor petrolífero possa beneficiar a população.

"Muitos ugandeses esperam fornecer a estas empresas os materiais necessários, mas as suas exigências são muito altas. Poucas pessoas conseguirão atender estes requisitos", explica. 

Outra questão que está a ser levantada no país prende-se com a falta de transparência por parte do governo. O facto do conteúdo dos acordos assinados continuar em segredo suscita receios de corrupção.

Assistir ao vídeo 02:33

A luta contra a transfobia no Uganda

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