″Obama de África″: As reformas do primeiro-ministro da Etiópia | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 14.11.2018
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Internacional

"Obama de África": As reformas do primeiro-ministro da Etiópia

Mais de 60 oficiais foram presos na Etiópia por corrupção, violação de direitos humanos e outros abusos. Detenções ocorrem numa altura de grandes reformas no país, implementadas pelo novo primeiro-ministro, Abiy Ahmed.

Abiy Ahmed, de 42 anos, é o primeiro oromo a liderar a coligação no poder

Abiy Ahmed, de 42 anos, é o primeiro oromo a liderar a coligação no poder

A polícia etíope prendeu este fim-de-semana 63 oficiais, incluindo generais e agentes dos serviços secretos. A Amnistia Internacional já elogiou as detenções, que classificou como um primeiro passo importante para punir os responsáveis pelos abusos cometidos na Etiópia durante mais de duas décadas. A organização de defesa dos direitos humanos também apelou ao governo de Abiy Ahmed a prosseguir as reformas no setor da Justiça.

As detenções são o resultado de uma investigação iniciada há quase meio ano sobre os abusos do anterior governo. Além de corrupção e de graves atrocidades, alguns chefes de segurança também são acusados de terem ordenado um ataque contra o novo primeiro-ministro.

Há algumas semanas, um grupo de soldados tinha já planeado um golpe semelhante. O primeiro-ministro condenou-os a fazer flexões - exercício no qual acabou por participar o próprio governante. "Tive de me comportar assim para salvar vidas. Tive de fingir que estava tudo bem. É assim que faço o meu trabalho", justificou Abiy Ahmed.

As reformas do "Obama de África"

Há quem chame "Obama de África" a Abiy Ahmed e defenda que deveria receber o próximo Prémio Nobel da Paz. Desde que assumiu o governo, em abril, as reformas no país sucedem-se a um ritmo alucinante, tanto no campo político, como económico e diplomático.

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"Obama de África": As reformas do primeiro-ministro etíope

Tem sido elogiado, mas também odiado por isso, lembra o analista etíope Omer Redi. "As pessoas que se opõem às suas reformas têm muito a perder. Beneficiaram do sistema durante quase três décadas e ganharam muito dinheiro, graças às boas ligações com o governo. Tinham o poder nas suas mãos", recorda.

Abiy Ahmed, de 42 anos, é o primeiro oromo a liderar a coligação no poder, a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (EPRDF). Até então, era a minoria Tigray quem tinha a última palavra.

O novo primeiro-ministro libertou presos políticos, reduziu o gabinete e nomeou muitas mulheres como ministras. Até a Presidente do país é agora uma mulher, Sahle-Work Zewde, a diplomata que até há pouco tempo era representante especial do secretário-geral da ONU, António Guterres, para a União Africana (UA).

Acordo de paz com a Eritreia

Mas a maior conquista de Abiy Ahmed foi ter feito as pazes com a vizinha Eritreia, depois de 20 anos de conflito. Na altura, em setembro, António Guterres elogiou o acordo "histórico" que pôs fim a um dos conflitos mais difíceis e sangrentos de África.

Äthiopien Premierminister Abiy Ahmed empfängt Eritreas Präsident Isayas Afewerki

Abiy Ahmed recebeu no aeroporto de Gondar o Presidente da Eritreia, Isaias Afewerki, que visitou Etiópia na semana passada

"A assinatura do tratado de paz entre o Presidente da Eritreia e o primeiro-ministro da Etiópia é, de facto, um acontecimento histórico. Assistimos ao fim de um conflito que durou décadas. E isso tem um significado muito importante num mundo em que, infelizmente, tantos conflitos se multiplicam e perduram", disse o secretário-geral das Nações Unidas.

A Etiópia e a Eritreia tinham rompido ligações diplomáticas no início de um conflito pelas fronteiras, que os opôs entre 1998 e 2000 e resultou em cerca de 80 mil mortos. Antiga província etíope no Mar Vermelho, a Eritreia declarou independência em 1993 depois de expulsar as tropas etíopes dos seus territórios em 1991, pondo termo a três décadas de guerra.

Em termos económicos, também tem havido melhorias na Etiópia. O novo primeiro-ministro quer privatizar empresas estatais e criar novos empregos. Reformas que têm merecido aplausos também fora do país.

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