O regresso da diáspora africana | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 07.02.2013
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Internacional

O regresso da diáspora africana

Em alguns países africanos regista-se um fenómeno interessante: o regresso da diáspora. É o caso do Gana. Os ganeses emigrados voltam atraídos pelas novas oportunidades criadas pelo crescimento.

Loja em Gana

Loja em Gana

Desde que iniciou a produção de petróleo, em 2011, a economia do Gana é das que mais tem crescido a nível mundial. Tal como o Governo anterior, também o atual executivo do Gana trabalha para controlar a inflação e captar investimento. Graças às receitas do petróleo, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 10% nos últimos três anos. A diáspora do Gana regressa, porque quer participar no boom económico.

Na casa dos 60 anos, nas últimas três décadas, Johnny Quarshie já trabalhou em diversos países como professor de inglês. Antes de voltar ao Gana esteve no Brasil, onde teve um restaurante vegetariano e uma loja de alimentos. Há dois anos, decidiu regressar e abrir um comércio em Accra, a capital ganesa: "Vendemos comida vegetariana internacional, preparamos snacks, sumos naturais, cozinhamos comida vegetariana e estamos a tentar abrir uma loja de comida saudável”. Johnny Quarshie acrescenta que o negócio começou apenas há dois meses. Está a andar devagar “mas tem boas perspetivas. De fato, a economia está a crescer, mas temos de pensar em que direção”, avisa

A vida na emigração não e fácil, sobretudo para os ilegais, na imagem na Itália

A vida na emigração não e fácil, sobretudo para os ilegais, na imagem na Itália

O problema da corrupção

É que nem tudo tem corrido bem nos negócios de Johnny Quarshie. O empresário queixa-se, sobretuo, da corrupção no seio das autoridades. E comta:

“Este é o meu segundo projeto no Gana. Abri também umas casas de banho públicas em Kaneshie e não fiquei contente com a forma como fui tratado”. Concretamente, diz, extorquiram-lhe dinheiro durante o processo de construção.

Em princípio, o empresário é otimista: “Só estou há um ano no Gana e já empreguei nove pessoas. E se cada pessoa que vier para o Gana conseguir fazer o mesmo, penso que a economia irá crescer”. Mas, acrescenta: “Não estão a encorajar-nos. A minha sobrinha veio para cá. Durante dois anos tentou estabelecer-se, mas não conseguiu e voltou para os Estados Unidos”.

A promessa de um futuro melhor

A classe média do Gana cresce

A classe média do Gana cresce

Junto de um dos negócios de comida vegetariana está Frederick Annan. Estudou e trabalhou como professor numa universidade do Reino Unido. Mas sentia-se insatisfeito com o emprego sazonal na universidade. Precisava de uma vida mais estável para a família, que estava a crescer. Voltou e agora leciona no instituto politécnico de Accra.

Frederick está entusiasmado com o regresso ao Gana. Mas apesar de um ambiente de negócios favorável, o professor teme alguns riscos. Mesmo aqueles que se têm dado bem no Gana, “pagaram a alguém para os ajudar”, diz e acrescenta: “Quem tem capital tem de ter cuidado onde quer investir e em que tipo de negócio, pois há de haver alguém a tentar levar-lhe o dinheiro. Há que ter cuidado, mas se der certo, o negócio irá funcionar”, remata, otimista, desde que se saiba o que se está a fazer: “Já tentei entrar em negócios, mas não tenho conhecimentos e prática para isso. Por isso, quero continuar com a minha profissão”.

A retoma económica cria novas oportunidades e mais emprego

A retoma económica cria novas oportunidades e mais emprego

Cada ganês na diáspora tem a sua própria razão para voltar para casa. Mas todos são unânimes em realçar o crescimento da economia e a promessa de um futuro melhor, pelo que se sentem melhor em casa do que no estrangeiro.

Autor: Isaac Kaledzi/Glória Sousa

Edição: Cristina Krippah/António Rocha

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