No adeus ao Papa, bispos lusófonos elogiam Bento XVI | MEDIATECA | DW | 28.02.2013
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MEDIATECA

No adeus ao Papa, bispos lusófonos elogiam Bento XVI

Bento XVI já deixou o Vaticano. Entrou-se agora no período denominado de "Sede Vacante". Bispos de Moçambique e de Angola e São Tomé dizem estar solidários com a decisão do Papa de resignar e enaltecem o seu pontificado.

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No último dia do pontificado, Bento XVI, fez uma reunião de despedida com os cardeais, onde prometeu lealdade ao seu sucessor.

Aos 85 anos, Bento XVI anunciou a resignação devido "à idade avançada". Em África, as Conferências Episcopais de Angola e S. Tomé e de Moçambique expressam a solidariedade com a decisão papal.

Os oito anos de pontificado de Bento XVI foram marcados por casos polémicos que abalaram a Igreja Católica, como a pedofilia e a fuga de documentos confidenciais. Perante esses casos de tempestade, Dom José Manuel Imbamba, porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé, elogia a serenidade de Bento XVI.

"Foi um pontificado marcado pela versatilidade da própria Igreja, que está ao serviço do amor e da justiça", disse. "Não obstante esta onda de difamação e de desacreditação, Bento XVI soube manter-se firme e coerente perante todos estes ataques externos que procuraram derrubar a força e a presença moral da Igreja. Ele soube, de facto, dar resposta adequada a todos esses momentos de crise."

Elogiando também o pontificado de Bento XVI, Dom João Carlos Nunes, da Conferência Episcopal de Moçambique, destaca a sua intervenção em nome do continente africano.

"Apreciámos também as várias oportunidades em que falou do continente, denunciando situações bastante críticas que vivemos aqui", lembrou. "Por exemplo, ele condenou a questão dos países industrializados que procuram sugar as riquezas de África, muitas vezes até sem qualquer benefício para a própria população africana. Nós aqui [em Moçambique] enfrentamos esse problema."

A Igreja e o preservativo

Um outro problema preocupante em muitos países africanos é a proliferação do vírus da SIDA. Apesar das elevadas taxas de infeção, a Igreja Católica mantém-se contra o uso do preservativo.

As Conferências Episcopais de Moçambique e de Angola e S. Tomé consideram que o próximo Papa seguirá a mesma orientação. A resolução do problema da SIDA não é simplesmente o uso do preservativo, explica Dom João Carlos Nunes.

"Muitas vezes se coloca a questão de que a SIDA é resolvida com preservativo e ponto final. Nós não pensamos assim", afirma o bispo moçambicano. "A SIDA será enfrentada com a mudança de comportamentos, com uma abordagem clara. É preciso falarmos das coisas pelos nomes, não criar tabus em relação à vivência da sexualidade." Isso seria necessário sobretudo nas zonas rurais, onde não se abordam essas questões, sublinha ainda.

Nacionalidade do Papa é algo secundário

Bento XVI esteve em Angola, onde celebrou uma missa ao ar livre. Na mesma ocasião, em março de 2009, esteve também nos Camarões e, dois anos mais tarde, no Benim. Nas suas visitas a África, manifestou-se contra o uso do preservativo e condenou o aborto como prática anticoncecional.

Numa altura em que os fieis católicos aguardam a eleição do próximo Papa, muito se especula sobre se o sucessor de Bento XVI virá das fileiras africanas ou latino-americanas.

Mas a raça e a cultura são questões secundárias, apontam os líderes religiosos dos países lusófonos. É importante que seja dinâmico e que atenda aos problemas de África, diz Dom João Carlos Nunes, da Conferência Episcopal de Moçambique.

"Há uma expectativa de que não seja de idade muito avançada, mas que efetivamente possa ficar um tempo razoável", disse. Para além disso, também se espera que o sucessor de Bento XVI "seja um Papa justo, que responda aos problemas da Igreja e do mundo."

Autora: Glória Sousa
Edição: Guilherme Correia da Silva / Helena Ferro de Gouveia