Nigéria: Recolher obrigatório em Lagos devido a protestos violentos | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 20.10.2020

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Nigéria: Recolher obrigatório em Lagos devido a protestos violentos

Escalada de violência em protestos contra violência policial levou autoridades nigerianas a declarar um recolher obrigatório de 24 horas em Lagos, esta terça-feira.

Em Lagos, é proibido estar na rua desde as 16h00 (hora local) desta terça-feira (20.10). O recolher obrigatório de 24 horas foi anunciado pelas autoridades nigerianas na sequência da escalada da violência em protestos contra a brutalidade policial.

O governador de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, disse que o recolher obrigatório iria afetar todas as partes do estado, incluindo Lagos, o centro económico do país. Apenas os trabalhadores essenciais e socorristas ficaram isentos

"Observei com choque como o que começou como um protesto pacífico do movimento #EndSARS [terminar com a Unidade Especial Antirroubo] degenerou num monstro que ameaça o bem-estar da nossa sociedade", escreveu o governador no Twitter.

"Vidas e membros perderam-se enquanto criminosos e bandidos se encontram escondidos sob a alçada destes protestos para desencadear o caos no nosso estado", afirmou, realçando que não vai assistir e "permitir a anarquia" no seu "querido estado".

O estado de Edo, no sul, impôs na segunda-feira um recolher obrigatório semelhante após uma fuga da prisão de prisioneiros durante os protestos contra a polícia.

Escalada de violência

Os protestos que começaram há 12 dias contra abusos cometidos pela Unidade Especial Antirroubo (SARS, na sigla original) da polícia têm vindo a aumentar de forma dramática. 

Cerca de 18 pessoas morreram nas manifestações. Houve relato de confrontos entre manifestantes e assaltantes vestidos com roupas civis.

Nigeria Ikeja | End Sars Proteste | Demonstranten

Protesto em Lagos contra a SARS, na segunda-feira (19.10)

Lagos, uma cidade com 20 milhões de habitantes, ficou paralisada enquanto multidões bloquearam as principais estradas e o acesso ao aeroporto internacional. Testemunhas disseram à Agência de notícias France-Press que uma esquadra de polícia foi incendiada no distrito de Orile Iganmu, esta terça-feira.

Na capital do país, Abuja, as forças de segurança dispersaram multidões violentamente. Fumo negro espesso podia ser visto sobre a cidade, relatou um fotógrafo da AFP. A tensão na cidade subiu após a notícia de três mortes durante protestos na segunda-feira.

"O comando lançou uma investigação sobre o assunto e a normalidade foi restaurada na zona", informou a porta-voz da polícia, Mariam Yusuf. "No entanto, três pessoas foram dadas como mortas e alguns carros ficaram danificados", constatou.

SARS vai ser desmantelada

A 11 de outubro, o Governo anunciou o desmantelamento da SARS e uma série de reformas na polícia, numa tentativa de apaziguar os manifestantes. Mas muitos dos jovens manifestantes duvidam das promessas oficiais. Entretanto, os manifestantes apelam não só a uma reforma da polícia como também a mudanças mais radicais na nação mais populosa de África. 

As autoridades pediram aos manifestantes que suspendessem as manifestações para dar tempo ao Executivo nigeriano de cumprir as suas promessas.

Esta terça-feira (20.10), o presidente da Câmara dos Representantes da Nigéria, Femi Gbajabiamila, vincou que não assinaria um orçamento federal de 13,08 mil milhões de nairas (quase 29 mil milhões de euros) para 2021, a menos que incluísse disposições para compensar as vítimas da brutalidade policial nas últimas duas décadas.

Assistir ao vídeo 02:00

Nigéria desmantela unidade policial, mas protestos continuam