Negócio de navios pode ser razão da visita do ministro angolano da Defesa à Alemanha | Angola | DW | 27.11.2014
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Negócio de navios pode ser razão da visita do ministro angolano da Defesa à Alemanha

Angola e Alemanha assinaram um acordo bilateral, cujos detalhes não são de conhecimento público. Analista acredita que a visita do ministro angolano João Lourenço pode ter a ver com a compra de barcos e de armamento.

Envolta em secretismo, termina esta quinta-feira (27.11) a visita à Alemanha do ministro da Defesa de Angola. Na segunda-feira (24.11), dia em que começou a visita de João Lourenço, os dois países assinaram, em Berlim, um acordo bilateral que envolve, por exemplo, a formação de quadros do Exército angolano. Do lado alemão o acordo foi assinado pela ministra da Defesa, Ursula von der Leyen.

Na terça-feira (25.11), o ministro angolano esteve em Bremen, no norte do país, onde visitou os estaleiros navais, e depois a foi a Rostock, onde se produzem navios. Lourenço visitou ainda a fábrica da Airbus, com sede na cidade de Munique, no sul da Alemanha.

Segundo alguns especialistas, esta visita de João Lourenço pode estar relacionada com a compra de navios-patrulha e de armamento.

Negócio acordado por Merkel

Para Emanuel Matondo, membro da Iniciativa Angolana Antimilitarista para os Direitos Humanos (IAADH) e editor da revista alemã Afrika Süd, a visita do ministro angolano é apenas o seguimento do negócio de navios acordado entre os dois países aquando da visita a Angola da chanceler alemã, Angela Merkel, em 2011.

Ouvir o áudio 04:09
Ao vivo agora
04:09 min

Negócio de navios pode ser razão da visita do ministro angolano da Defesa à Alemanha

Trata-se de seis a oito barcos-patrulha, custando cada um entre 10 e 25 milhões de euros. Emanuel Matondo critica a suposta compra, lembrando que Angola tem um conflito interno em Cabinda e está em conflito com países vizinhos. “Tem um conflito marítimo com o Congo Democrático, com o Congo Brazaville e até com o Gabão”, salienta.

As suas críticas não são dirigidas apenas a Angola. Defende que a Alemanha também alimenta Angola com armamento porque “tem os seus interesses”. Em 2011, recorda, foi a chanceler alemã quem propôs a venda dos barcos.

Segundo o editor, ao acordar este tipo de negócios, a Alemanha chega mesmo a violar a lei do país. “O Governo alemão aposta em potenciar o regime angolano como polícia regional naquela região de África. Esses navios de guerra custam muito dinheiro ao país”, critica.

“Alemanha ao lado dos déspotas”

Para Emanuel Matondo, “esta é mais uma prova de que a Alemanha está sempre ao lado dos déspotas, dos regimes que oprimem o povo angolano.” E a história repete-se, sublinha ainda. “Quando os angolanos iniciaram a luta contra Salazar, a Alemanha ofereceu fragatas e corvetas ao regime salazarista”.

Emanuel Matondo

Emanuel Matondo é membro da Iniciativa Angolana Antimilitarista para os Direitos Humanos (IAADH)

Em 2011, o partido alemão Os Verdes também questionou o Governo da Alemanha – o terceiro maior exportador mundial de armas – sobre as exportações de armas para Angola. Os deputados pretendiam saber concretamente que mercadorias foram entregues para fins militares e para segurança policial e em que quantidade.

A supervisão da costa angolana contra possíveis ações de pirataria e a supervisão das suas fronteiras e águas, que são alvo de exploração petrolífera por parte de grandes multinacionais, seriam a razão da compra dos barcos. Também o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, disse na altura que o seu país estava a modernizar as Forças Armadas.

Emanuel Matondo classifica como “falsos” todos estes argumentos. “Até mesmo essa história de pirataria ao largo das águas angolanas é um pouco exagerada. Não se registam muitas atividades de pirataria na costa angolana. Assegurar essa zona de Angola com fragatas e corvetas é uma maneira de desviar fundos para outros fins.” Fundos que, na sua opinião, “Angola precisa para sustentar, por exemplo, o povo faminto.”

Angola Luanda Deutschland Merkel dos Santos

Encontro da chanceler alemã, Angela Merkel, com o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, em Luanda, em julho de 2011

Áudios e vídeos relacionados