Número de refugiados camaroneses na Nigéria continua a aumentar | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 19.07.2018

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Internacional

Número de refugiados camaroneses na Nigéria continua a aumentar

Desde outubro de 2017, mais de 21 mil pessoas da região anglófona dos Camarões fugiram para a Nigéria. Muitas recuperam do trauma da viagem que os obrigou a esconder-se das autoridades e testemunhar atos de violência.

Crianças em campo de refugiados na Nigéria

Crianças em campo de refugiados na Nigéria

Os conflitos na região anglófona dos Camarões continuam a forçar, todos os dias, a saída de milhares de cidadãos do país. Números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) dão conta de que, desde outubro de 2017, mais de 21 mil pessoas deixaram os Camarões e procuraram refúgio na Nigéria, onde tentam esquecer o que viveram até lá chegar.

Chegados à Nigéria, a maioria dos refugiados camaroneses procura abrigo no estado de Cross River, outros dirigem-se para Benue e Taraba, todos eles estados localizados junto à fronteira com os Camarões. Todos os dias, chegam pessoas que depois são apoiadas pelas comunidades locais e albergadas nos campos de refugiados.

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Número de refugiados camaroneses na Nigéria continua a aumentar

Napoleon Egumu é professor e um dos refugiados. Veio de Akwaya, no sudoeste dos Camarões e diz sentir-se seguro na sua nova terra. "Sinto-me seguro aqui. É verdade que existem falsos alarmes que geram pânico, mas as pessoas aqui garantem-nos que não há nada a temer", conta.

Discriminação contra anglófonos

Entre os refugiados, estão várias crianças e mulheres jovens. Fogem dos distritos anglófonos dos Camarões, que ao todo representam apenas 20% do total dos 25 milhões de camaroneses. Queixam-se da discriminação de que são vítimas no seu próprio país e acusam as forças governamentais de violação dos direitos humanos.

Dorothy Offun tem 34 anos e é mãe de sete filhos. Demorou uma semana até chegar à fronteira. Em várias ocasiões teve de se

Kameruns vergessene Flüchtlinge

Dorothy Offun defende a independência das regiões anglófonas

esconder na floresta até conseguir, finalmente, chegar à cidade de Adikpo, no estado de Benue. A violência que testemunhou ainda a aterroriza. 

"No dia que fugimos, dispararam contra as pessoas. Alguns conseguiram esconder-se, outros morreram", conta.

Dorothy Offun já não se imagina a voltar ao país de origem. O seu sentimento de revolta para com os líderes da sua região é partilhado pelos outros refugiados e descreve as dificuldades vividas.

"Os nossos filhos não conseguem encontrar emprego. Nós sofremos. Não temos estradas nem mercados. Queremos independência”.

Opressão crescente

As críticas dos camaroneses nos distritos de língua inglesa aumentaram nos últimos nove meses, depois de advogados e professores terem decidido sair às ruas para protestar contra a crescente influência da língua francesa no sistema. Várias pessoas foram mortas. Na região, é difícil obter informações credíveis do que de facto se está a passar. Certo é que, tanto os refugiados, como as autoridades locais, organização internacionais e o ACNUR, não esperam que o conflito termine tão depressa.

Kameruns vergessene Flüchtlinge

Alguns refugiados constroem pequenas casas a preparar a estadia longa, outros ainda vivem em tendas

Pelo contrário. António José Canhandula, representante do ACNUR na Nigéria, prevê que o número de refugiados aumente, o que vai exigir uma revisão da estratégia da organização.

"Provavelmente iremos ter de rever o nosso plano de resposta para a situação, porque a informação que temos dá-nos conta que a resposta das autoridades centrais dos Camarões não melhorará o problema, mas pelo contrário, agravará a situação”, explicou à DW África.

São muitos os camaroneses que perdem a vida ao tentar chegar aos campos de refugiados na Nigéria. Em Benue, muitas das pessoas ainda não conseguem falar sobre o que viram e viveram nesta viagem, conta o padre Remigius Ihyula, coordenador da comissão de justiça, desenvolvimento e paz da agência de assistência Caritas. "A situação é muito má. Muitas destas pessoas estão traumatizadas. Alguns deles passaram muitos dias na floresta", diz.

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