″Não houve nenhuma Comissão das Lágrimas em Angola″, diz Pepetela | Angola | DW | 14.05.2012
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Angola

"Não houve nenhuma Comissão das Lágrimas em Angola", diz Pepetela

O escritor angolano, Pepetela, nega qualquer envolvimento na “Comissão das Lágrimas”, criada pelo MPLA, com o objetivo de ouvir depoimentos de inteletuais, presos após do 27 de maio de 1977.

Angola Schriftsteller Pepetela

Angola Schriftsteller Pepetela

Pepetela e Luandino Vieira, dois ícones da literatura angolana, são apontados como tendo feito parte da “Comissão das Lágrimas”, criada pela direção do MPLA, o partido no poder em Angola. O objetivo desta comissão era recolher depoimentos de inteletuais presos no âmbito das manifestações populares de 27 de maio de 1977, que o então presidente Agostinho Neto classificou de tentativa de golpe de Estado.

Além de Pepetela e Luandino, são citados, entre outros, os nomes de Manuel Rui Monteiro, Henrique Abranches e Costa Andrade, segundo revelou em entrevista à DW África a investigadora Dalila Mateus, autora do livro “Purga em Angola”, lançado em 2007, que retrata este trágico episódio da história de Angola, ocorrido há 35 anos em Luanda.

Titel: Buch Purga em Angola Schlagworte: 27. Mai 1977, 27 de maio 1977, Angola, MPLA, Nito Alves, José Van Dunem, Sita Valles Wer hat das Bild gemacht?: Dalila Mateus Wann wurde das Bild gemacht?: 2012 Bildbeschreibung: Bei welcher Gelegenheit / in welcher Situation wurde das Bild aufgenommen? Wer oder was ist auf dem Bild zu sehen? Das Cover des Buches Purga em Angola über die Massaker nach dem angeblichen Putschversuch von Nito Alves, damals Innenminister des MPLA, am 27. Mai 1977. Autoren des Buches sind die portugiesischen Historiker Dalila Mateus und Álvaro Mateus

Capa do livro "Purga em Angola"

Questionado em DW África, Pepetela nega que tenha feito parte da referida comissão. ”Contam-se muitas histórias e escreve-se muita coisa falsa sobre, para já não houve nenhuma Comissão das Lágrimas que eu saiba. Duvido muito que o Luandino tenha estado nalguma coisa dessas”. Contudo, Pepetela considera que o poder político devia por as provas que tem, só ele é que tem, para as pessoas avaliarem, o que eu tenho dito sempre é que quem tem que explicar isso é quem estava no poder”.

Para este escritor, uma verdadeira reconciliação em Angola implica resolver episódios que mancham a história do país, como é o caso de 27 de maio.

Qualidade da literatura angolana contemporânea retrocede

Em entrevista à DW África, Pepetela fala também do percurso da literatura angolana pós-independência e considera que nos últimos anos baixou significativamente a qualidade da produção literária em Angola. Embora haja algumas exceções entre os novos talentos. São vários os fatores, aponta o escritor. Um deles prende-se com a qualidade do ensino da língua portuguesa, além disso “os mais jovens lêem pouco porque os livros são muito caros” e “há deficiências no ensino e dificuldades na própria edição”, salienta Pepetela.

Prémio Camões em 1997, o escritor angolano, de ascendência portuguesa, é autor de vários títulos, entre romances, ensaios e contos, assumindo depois da independência uma posição crítica face à situação da Angola contemporânea.

Autor: João Carlos (Lisboa)
Edição: Helena Ferro de Gouveia/António Rocha

Ouvir o áudio 03:42

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