Moody′s: Angola e Moçambique estão suscetíveis a choque financeiro | Angola | DW | 19.02.2020
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Angola

Moody's: Angola e Moçambique estão suscetíveis a choque financeiro

O relatório divulgado pela Agência Moody's aponta as fragilidades das economias dos dois países, revelando o aumento da dívida acima do valor do PIB.

Logotipo da agência de notação financeira Moody's

Logotipo da agência de notação financeira Moody's

Foram divulgados os dados da agência de notação financeira Moody's, na qual os analistas consideram que Angola está entre os países mais suscetíveis a um choque financeiro. Isto se deve à mudança na estrutura da dívida, que, juntamente com Moçambique, ultrapassa os 100% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo informações divulgadas pela agência Lusa.

Com base nos relatórios analisados, os especialistas da Moody's observam que "a mudança na composição dos credores aumentou os riscos de crédito em vários países, num contexto de maior acesso aos mercados de capitais, as emissões domésticas e internacionais de títulos de dívida aumentaram, enquanto a percentagem de empréstimos de instituições multilaterais caiu".

Os dados analisados pela Moody's são referentes a República do Congo, Moçambique, Zâmbia, Gana, Angola e Quénia, já que, segundo os especialistas, este são os países que estão mais expostos a esta mudança.

"Apesar de ter havido uma diversificação das fontes de financiamento, aumentado o escrutínio dos investidores sobre a política macroeconómica e orçamental, e também ter garantido para o muito necessário financiamento ao desenvolvimento, também aumentou a exposição às condições globais de financiamento, amplificou a exposição às variações cambiais, como em Angola, e aumentou os riscos de refinanciamento da dívida, como na Zâmbia", diz a agência de notação financeira.

Comentários aos clientes

Analistas alertam que Angola e Moçambique são os dois países, entre os 16 analisados na África subsaariana, onde a percentagem de dívida sobre o PIB (Produto Interno Bruto), acima dos 100%, é a mais elevada.

Ainda no comunicado os analistas observam que a dívida aumentou e "a capacidade de a pagar deteriorou-se", apontando que "a dívida pública representa agora mais de 50% do PIB em mais de metade dos países" analisados pela Moody's nesta região e, ao mesmo tempo, "o aumento da dependência de credores privados enfraqueceu as métricas na maioria dos casos", apontaram os analistas.

Segundo os dados observados pela Moody's, Angola e Moçambique foram os dois países que mais viram o rácio da dívida sobre o PIB aumentar, representando, em ambos os casos, valores acima dos 100% do PIB.

Dívidas aumentam

Para além dos valores, os analistas chamam também a atenção para as fragilidades na gestão da dívida pública, notando que mais de um terço da dívida angolana é emitida em moeda estrangeira, tornando este país o mais vulnerável a choques no mercado cambial, como aconteceu em 2019.

No caso de Moçambique, a Moody's salienta que "as notáveis deficiências no reporte de dados e em particular nas dívidas de empresas públicas não divulgadas contribuíram para o incumprimento financeiro", acrescentando que "apesar de progresso nalgumas áreas, como a emissão de garantias soberanas, a capacidade de gestão da dívida em Moçambique continua fraca, particularmente no que diz respeito à supervisão das empresas públicas", afirmam os analistas.

Diante dos dados apresentados, o crescimento da dívida pública em relação ao PIB nos países analisados na África subsaariana é um dos temas recorrentes nos relatórios dessa região do continente. Esta crescente da dívida coloca às economias em perigo, com dificuldades para os investimentos públicos necessários para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, diminui as possibilidades de manter uma margem orçamental que seja suficiente para honrar com os compromissos financeiros do país.

Na creditação da notação em relação a capacidade económica dos países, a Moody's atribuiu a Angola a nota B3, que significa que o país tem uma perspetiva de evolução estável. No caso de Moçambique, a nota atribuída foi Caa2, já que na opinião dos analistas o país está numa situação estável. No entanto, em ambos os casos a notação está abaixo da recomendação de investimento.

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