Moçambola: Maxaquene de Maputo à beira da despromoção | Moçambique | DW | 07.12.2019
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Moçambique

Moçambola: Maxaquene de Maputo à beira da despromoção

Histórico Clube de Desportos da Maxaquene pode descer de divisão no Campeonato Moçambicano de Futebol já neste fim de semana. Jornalistas desportivos afirmam que descida poderá ter impacto negativo no campeonato de 2020.

Fußball-Stadion Costa do Sol in Mosambik (DW/R. Da Silva)

Estádio Costa do Sol, em Maputo, é um dos palcos da Moçambola

Neste domingo (08.12), o Maxaquene precisa de ganhar ao Ferroviário de Maputo, terceiro classificado no Campeonato Moçambicano de Futebol (Moçambola), e esperar pelas derrotas de outros quatro aflitos para se manter na prova.

O jornalista desportivo da Rádio Moçambique, Adão Matimbe, não tem dúvidas de que esta equação não é favorável ao Maxaquene.

"Só uma hecatombe poderá tirar o Maxaquene da segunda divisão", avalia.

A despromoção do Maxaquene, que em 2020 faz cem anos, terá impacto negativo para o campeonato de 2020, segundo Adão Matimbe.

"Isto vai significar a retirada de uma grande franja de apoiantes do Maxaquene no Moçambola e o reduzir das receitas da própria Liga Moçambicana de Futebol que advém da bilheteira, advém das transmissões televisivas acima de tudo," considera.

As empresas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e os Aeroportos de Moçambique são as principais patrocinadoras do Moçambola e do Maxaquene.

"Elas também estão interessadas em ver o seu nome bem hasteado pelo Moçambola. Eu tenho receio que, embora a Liga Moçambicana de Futebol pague às Linha Aéreas [de Moçambique], estas também poderão reduzir o apoio que oferecem ao Moçambola para poderem oferecer o mesmo apoio à segunda divisão", pondera.

Mosambik Flugzeug der Fluggesellschaft LAM (DW/J. Beck)

LAM é uma das principais patrocinadoras do Maxaquene

Histórico da crise

A crise no Maxaquene remonta a julho de 2018.

Na altura, explica o jornalista do jornal Desafio, Atanásio Zandamela, os patrocinadores condicionaram o apoio financeiro a uma candidatura à eleição do presidente do clube que não ganhou e as LAM cancelaram o patrocínio ao Maxaquene.

"Declararam voto ao candidato Nuro Americano que saiu derrotado. Na altura, foram claros: não iam tirar dinheiro, caso não ganhasse o candidato que queriam. Perdeu Nuro Americano e ganhou [Arlindo] Mapande. Desde lá, as LAM não tiraram nenhuma quinhenta para o clube e era o principal patrocinador", descreve o jornalista.

Ouvir o áudio 02:54

Moçambola: Maxaquene de Maputo à beira da despromoção

A época do Maxaquene em 2019 começou com estes problemas. Como forma de ultrapassar a crise, criou-se uma comissão de gestão.

O porta-voz da comissão, Miguel Vaz, assegurou que houve um encontro, esta semana, com os jogadores e a equipa técnica para o jogo de domingo.

"Já fizemos um trabalho preliminar com os jogadores, com técnicos e já houve a aparição dos patrocinadores a darem essa força," explica.

"O foco do nosso lado é de ganhar os jogos que temos pela frente. Não temos margem para mais nada que não seja ganhar os jogos e esperar pelos resultados de terceiros", considera.

Se o Maxaquene disputar a segunda divisão, terá a dura tarefa de reconstruir-se. Mas Miguel Vaz assegura que o clube vai regressar ao Moçambola em 2021.

"Poderá ser, de alguma forma, beliscado de poder estar numa divisão menor, mas isso não vai tirar aquilo que é o 'status' do Maxaquene a nível do panorama futebolístico nacional", conclui.

O Moçambola, o campeonato nacional de Moçambique, conta com 16 clubes - dos quais cinco descem este ano, subindo três - e, devido à crise financeira que abala o país, no próximo ano contará com 14 clubes.

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