Moçambique: Suspensão da Tabela Salarial Única preocupa funcionários públicos | Moçambique | DW | 08.08.2022

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Moçambique

Moçambique: Suspensão da Tabela Salarial Única preocupa funcionários públicos

Funcionários públicos dizem ter contraído dívidas após o executivo moçambicano ter anunciado para breve a nova Tabela Salarial Única. Agora, após a suspensão da medida, relatam constragimentos ao orçamento familiar.

A suspensão da nova Tabela Salarial Única está a causar vários constrangimentos ao orçamento familiar de alguns funcionários públicos em Moçambique.

Marta, funcionária da saúde, e Pedro, que trabalha como administrativo, são um casal de funcionários do Estado com formação média. Os nomes são fictícios, porque o casal pediu o anonimato. Mas as preocupações são reais.

O casal vive no bairro de Muhalaze, na cidade da Matola. O anúncio do Governo sobre a entrada em vigor do pagamento da Tabela Salarial Única (TSU), no dia 22 de julho, levou Marta e Pedro a fazerem planos.

"Era melhorar alguma coisa para ganhar renda. Por exemplo fazer uma mercearia para poder me ajudar nas despesas", diz Pedro.

Governo recuou

Mas quando o executivo de Filipe Nyusi recuou, todos os planos caíram por terra. A vida não só voltou para o que era antes, como piorou, conta Pedro: "Os preços explodiram dos produtos e cada dia aumentam tendo em conta o nível de vida, os combustíveis subiram e está um problema sério".

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Com o anúncio do pagamento com a nova Tabela Salarial Única muitos funcionários públicos correram para a banca para fazer empréstimos. Quando ficou claro que a TSU afinal já não entraria em vigor, correram vídeos do suicídio de um funcionário nas redes sociais. 

Marta diz que muitos outros foram internados por sofrer da hipertensão. "A situação ficou complicada. Nós tínhamos uma expetativa de ter um valor acrescido. Estou quase sempre no hospital e constatei que há muita gente com tensão [por causa da suspensão da medida]", relata. 

Suspensão dificulta orçamento familiar

As famílias de baixa renda em Moçambique comem, no máximo, duas refeições por dia. Após a suspensão, Marta teve que refazer as contas tendo em conta a subida em flecha dos preços.

"Estamos a nos virar a cortar algumas coisas. Para quem matabichava, almoçava, lanchava e jantava teve que cortar duas refeições. Passa a ter duas, na verdade", lamenta Marta, alertando que muitos dos prejudicados com a suspensão da TSU são funcionários públicos e que "se o Governo continuar assim, vamos ter muita baixa".

Pedro também lamenta as dificuldades no orçamento das famílias dizendo que a "situação piorou".

O Governo ainda não avançou como uma data para a entrada em vigor da TSU. 

No entanto, Marta pede aos governantes que faça antes todas as retificações para não voltar a desiludir as pessoas: "O Governo tem de fazer alguma coisa".

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