Moçambique: RENAMO articula posicionamento sobre eleições gerais | Moçambique | DW | 20.10.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Moçambique: RENAMO articula posicionamento sobre eleições gerais

Após contestar os resultados provisórios que dão ampla vantagem à FRELIMO, o maior partido da oposição moçambicana reúne a sua Comissão Política para tomar uma posição sobre o processo eleitoral.

Campanha eleitoral da RENAMO na província de Inhambane

Campanha eleitoral da RENAMO na província de Inhambane

Em Moçambique, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) reúne esta segunda-feira (21.10) a Comissão Política do partido para decidir sobre o seu posicionamento após ter contestado os resultados oficiais provisórios das eleições presidenciais, legislativas e provinciais de 15 de outubro.

A Comissão Política da RENAMO vai tomar uma posição face à alegada fraude que afirma ter marcado as eleições gerais. "Assistiu-se a uma violência total caracterizada pelo impedimento e expulsão dos delegados de candidatura e dos membros das mesas de voto dos partidos da oposição, protagonizada pelos presidentes das mesas de voto com a ajuda de agentes da polícia", afirmou o secretário-geral do partido, André Magibire.

Ouvir o áudio 03:27

Moçambique: RENAMO articula posicionamento sobre eleições gerais

Magibire disse que se assistiu também a prisões arbitrárias de delegados de candidatura e de eleitores que tentaram apresentar reclamações, assim como o enchimento de urnas com votos previamente preenchidos a favor da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Magibire indicou ainda que os ilícitos registados violam o acordo de paz.

"A magnitude da fraude foi tão enorme que as eleições não podem ser aceites, pelo que devem ser anuladas e repetidas. A RENAMO distancia-se dos resultados que estão a ser anunciados por não corresponderem à vontade popular. O partido RENAMO considera que houve fraude. Recomenda que o país se prepare para novas eleições, que devem ser supervisionadas por entidades idóneas", acrescentou.

Ampla vantagem

Entretanto, o maior partido da oposição de Moçambique saiu derrotado no seu principal bastião, a província de Sofala, segundo dados divulgados pela Comissão Provincial de Eleições este fim de semana. Os resultados dão vitória à FRELIMO nas eleições legislativas e ao seu candidato Filipe Nyusi, nas presidenciais. Nas eleições provinciais, a FRELIMO também ganhou em todos os distritos da província de Sofala, incluindo na cidade da Beira.

"Eleição dos deputados da Assembleia da República: FRELIMO, 66.29%; RENAMO, 20.25%; MDM, 12.31%. Candidato Filipe Nyusi, da FRELIMO, 67.78%; Ossufo Momade, da RENAMO, 20.08%; Daviz Simango, do MDM, 11.67%", anunciou o presidente da Comissão Provincial de Eleições, Simião Albazine.

O chefe da Brigada Central da FRELIMO de Assistência à Província de Sofala, Sérgio Pantie, disse a jornalistas que "as eleições correram muito bem". "As eleições correspondem à vontade popular. Conseguimos passar a nossa mensagem", afirmou.

Partidos criticam

Já o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) não reconheceu os resultados. "Este processo de votação foi manchado principalmente por um enchimento das urnas", denunciou José Muchanga, delegado político do partido em Sofala.

Assistir ao vídeo 00:14

Eleições em Moçambique: FRELIMO já festeja em Chimoio

O MDM aponta ainda outros ilícitos eleitorais, como violência contra delegados de candidaturas da oposição, proliferação de boletins pré-marcados, barramento de observadores eleitorais e aliciamento de membros das mesas de voto.

Em Cabo Delgado, no norte do país, a FRELIMO e Filipe Nyusi também saíram vencedores. A RENAMO recusou-se a assinar o edital de apuramento provincial por "alegada fraude". Já em Nampula, o maior círculo eleitoral com um nível de processamento de cerca de 66% dos votos, a FRELIMO e o seu candidato estão à frente.

Para o Centro de Integridade Pública, CIP, à medida que mais resultados tornam-se disponíveis, a vitória esmagadora da FRELIMO é confirmada. Com base numa amostra de quase 3.000 assembleias de voto, as projeções indicam que Filipe Nyusi conquistou 71% dos votos. Ossufo Momade, da RENAMO, deverá ganhar apenas 21% dos votos, Daviz Simango, do MDM, 7%, e Mário Albino, do AMUSI, menos de 1%.

Segundo o editor do boletim eleitoral do CIP, Joseph Hanlon, "a FRELIMO sempre exigiu dos seus membros 'vitória a todo custo', mas estas parecem que são as primeiras eleições gerais em que o partido exerceu poder de forma organizada, mas descentralizada".

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados