Moçambique: RENAMO acusa Governo de violar espírito de reintegração | Moçambique | DW | 07.07.2020
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Moçambique

Moçambique: RENAMO acusa Governo de violar espírito de reintegração

O maior partido da oposição moçambicana diz que o Estado está a excluir os desmobilizados de posições de chefia no Comando-Geral da Polícia de Moçambique. E que a atitude viola o espírito do DDR.

Cerimónia de patenteamento dos militares da RENAMO

Cerimónia de patenteamento dos militares da RENAMO

O porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), José Manteigas, disse esta terça-feria (07.07) à agência de notícias Lusa que o partido tinha "uma legítima expetativa" de que oficiais do braço armado da organização patenteados no sábado (04.07) ocupassem posições de chefia no Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), mas foram destacados para posições inferiores.

"Acompanhamos atentamente o patenteamento dos militares da RENAMO, mas criticamos o facto de nenhum deles estar numa posição de chefia no Comando-Geral da Polícia", declarou José Manteigas.

O porta-voz do partido da oposição adiantou que esta exclusão viola o espírito do acordo de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) assinado com o Governo.

Patentes

Os dez oficiais da RENAMO patenteados no sábado vão ser colocados como responsáveis de esquadras e nas polícias de Trânsito, Guarda de Fronteira e de Proteção de Recursos Naturais e do Meio Ambiente.

Os patenteados eram guerrilheiros da RENAMO e foram integrados na PRM em finais do ano passado, tendo sido submetidos a uma formação básica na polícia moçambicana, estágio pré-profissional, patenteamento e tomada de posse.

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Depois de um arranque simbólico no ano passado, o DDR esteve paralisado durante vários meses, tendo sido retomado em 4 de junho e vai envolver cinco mil membros do braço armado do maior partido da oposição.

Desde então já foram abrangidos 38 ex-guerrilheiros em Savane, 251 ex-guerrilheiros em Chibabava e outros 303 em Dondo, na província de Sofala, centro do país.

Filiação

Entretanto, a RENAMO considerou contrária ao "pluralismo político" a apresentação pública de 160 membros do principal partido da oposição em Moçambique a declararem a sua filiação à FRELIMO, partido no poder.

Os 160 militantes do partido da oposição foram apresentados numa cerimónia pública no fim de semana no posto administrativo de Dombe, província de Manica, centro de Moçambique.

O ato foi dirigido pelo primeiro secretário do Comité Provincial da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Tomás Chithlango.

Em declarações hoje à Lusa, esta terça-feira, o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, considerou a ação contrária ao pluralismo político, acusando o partido no poder de implementar uma estratégia de fragilização da oposição. "É contraproducente esse tipo de ação, porque é uma forma de matar o pluralismo político, através da fragilização da oposição", disse José Manteigas.

Assistir ao vídeo 01:25

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