Moçambique: Por onde anda Celso Correia, o ″superministro″? | Moçambique | DW | 19.01.2021

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Moçambique

Moçambique: Por onde anda Celso Correia, o "superministro"?

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural era até há pouco o mais mediático do país e chegou a fazer sombra ao Presidente Filipe Nyusi. Mas a estrela parece ter-se apagado. E os seus projetos são questionados.

Celso Ismael Correia, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural

Celso Ismael Correia, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural

Em 2020, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, vangloriava-se de megaprojetos como o "Sustenta", no setor agrário, e lançou mega-estruturas de desenvolvimento rural, como a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

No entanto, hoje já pouca gente fala dele e a ADIN parece não ter saído do papel, segundo refere Emídio Beula, jornalista e pesquisador da organização não-governamental Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD).

DW África: O mediatismo de Celso Correia está muito 'apagado'. Porquê?

Emídio Beula (EB): O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural tem estado muito apagado, sobretudo nos últimos meses. Já não é o ministro que abria os noticiários nos órgãos de informação, tanto públicos como privados, já não é o ministro que mobilizava todo o Governo, como vimos em junho e setembro do ano passado aquando do lançamento do "Sustenta" a nível nacional.

DW África: Está a falar do "Sustenta" e também da ADIN?

EB: Sim, a ADIN foi criada em março do ano passado com foco em Cabo Delgado. A ideia era que a agência fosse desenvolver projetos económicos e sociais para desencorajar os jovens de se juntarem aos movimentos extremistas e violentos que têm estado a criar problemas naquela província. Portanto, era o ministro mais forte de Moçambique e que recebia a maior parte do apoio externo. Depois da suspensão da modalidade de apoio direto ao Orçamento Geral do Estado (OGE), os parceiros de cooperação passaram a apoiar projetos setoriais.

Mosambik Binnenvertriebene aus Cabo Delgado

População de Cabo Delgado refugia-se nas matas por causa do terrorismo. Fotografia de novembro de 2020

DW África: No ano passado, Celso Correia anunciou que conseguiu angariar imensos apoios internacionais. Quem são os maiores financiadores?

EB: O maior financiador foi o Banco Mundial (BM), mas a União Europeia (UE) manifestou interesse em financiar a ADIN, a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte, que neste momento está sob tutela de Celso Correia. Não só a UE, mas também os EUA. O BM prometeu 500 milhões de dólares para a ADIN. Nesse sentido, fizemos uma publicação a questionar, afinal, onde anda o superministro?

DW África: O que quer dizer que a ADIN tem poucos ou nenhuns resultados palpáveis para mostrar?

EB: Não tem nenhum resultado palpável, ainda não tem um plano estratégico e ainda não desenvolveu nenhuma iniciativa no terreno. A agência tem a sua sede em Pemba, mas mesmo lá não é conhecida. O foco era atender a questão da crise humanitária, apoiando as comunidades deslocadas. Mas quando a cidade de Pemba, em meados do ano passado, recebia por dia milhares de deslocados, a ADIN não foi vista a prestar qualquer tipo de apoio. Vai fazer um ano, mas a agência praticamente não existe, não se faz sentir na vida das pessoas, não só de Cabo Delgado, mas também de Niassa e Nampula.

Mosambik Beira Präsident Filipe Nyusi

Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique

DW África: Em consequência dessa falta de resultados palpáveis, acha que o ministro Celso Correia perdeu alguma da confiança de que gozava junto do Presidente da República?

EB: Não posso especular se perdeu ou não, mas parece que não está a conseguir mobilizar os fundos com a facilidade do mandato passado. O que se diz, por exemplo, é que o "Sustenta" não está a ter dinheiro, ele fez promessas de financiar pequenos agricultores em quase todo o país, houve compra de máquinas, de motorizadas, sementes... Mas o facto é que não está a ter dinheiro para financiar, parece que não está a conseguir esse dinheiro. E automaticamente, sem dinheiro, não tem como manter a sua influência no Governo. 

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