Moçambique: Momade sai da Gorongosa para se encontrar com Presidente Nyusi | Moçambique | DW | 27.02.2019

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Moçambique

Moçambique: Momade sai da Gorongosa para se encontrar com Presidente Nyusi

Encontro entre o Presidente Filipe Nyusi e o líder da RENAMO Ossufo Momade, em Maputo, termina sem declarações à imprensa. Ainda não se sabe se a saída de Momade da Gorongosa é definitiva ou não.

Mosambilk Stadtansicht von Maputo mit dem Statue Samora Machel, dem ersten Präsidenten der Republik Mosambik

Foto ilustrativa: Trecho da capital moçambicana, Maputo

O chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi e o líder da RENAMO, Ossufo Momade, encontraram-se esta quarta-feira (27.02.) pela primeira vez na capital do país, Maputo, na Presidência da República.

Os dois líderes fizeram-se acompanhar pelos respetivos membros na Comissão de Assuntos Militares.

Nenhuma das partes fez declarações à imprensa no final do encontro, integrado nos esforços por uma paz definitiva para o país.

Mosambik Maputo Filipe Nyusi

Filipe Nyusi

Num comunicado posteriormente distribuído à imprensa, as duas partes congratularam-se pelos avanços no processo de enquadramento efetivo nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique de oficiais oriundos da RENAMO, e comprometem-se a honrar todos os compromissos assumidos no âmbito do Memorando de Entendimento sobre assuntos militares.

Elementos da RENAMO na polícia
O documento indica ainda que o Presidente da RENAMO, Ossufo Momade, assegurou que serão, em breve, entregues as listas do seu pessoal a integrar na polícia.

Os dois líderes reafirmaram a sua determinação em continuar a manter o diálogo ao mais alto nível e reforçar a comunicação, tendo concordado em concluir a fase principal de um processo que culminará num acordo de paz para a cessação definitiva das hostilidades, o mais cedo possível.

Comentando a deslocação de Ossufo Momade a Maputo a partir da Serra da Gorongosa onde está a residir, o analista Calton Cadeado salientou que se trata de um gesto de retribuição por parte do Presidente da RENAMO às visitas que o Chefe de Estado efetuou à Gorongosa e Beira onde se encontraram.

Calton Cadeado

Calton Cadeado

"Este é um reforçar da legitimidade do Chefe de Estado, que está a trazer a condução das negociações para um espaço mais próximo de diálogo direto entre as duas lideranças fora de Gorongosa. Isto dá a entender que o Chefe de Estado consegue mobilizar a simpatia do Sr. Ossufo Momade a ponto de colocá-lo aqui em Maputo", disse Cadeado.

Confiança no processo

Cadeado recorda que num recente encontro técnico ficou prometido que haveria sessões semanais, sendo provável que estejam a acontecer alguns avanços que ainda não são do domínio público. Isso pode estar a aproximar de novo as parte, avança o analista.

Para Calton Cadeado, as recentes nomeações de 14 oficiais da RENAMO para cargos de direção nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique são "um sinal do Governo que está a mostrar interesse em avançar com o processo de negociação para a desmobilização, desarmamento e reintegração ( DDR). Mas também não podemos ignorar que o próprio líder da RENAMO neste momento está sob pressão da ala político-militar dentro do partido.

Ouvir o áudio 02:30

Moçambique: Líder da RENAMO sai da Gorongosa para se encontrar com Presidente Filipe Nyusi

Então qualquer gesto desta natureza que o aproxime ao Chefe de Estado e permita avançar com o DDR também serve para lhe conferir um pouco mais de legitimidade dentro da própria RENAMO".

Encontos marcados por secretismo

Calton Cadeado considera que há um claro sinal de que o maior partido da oposição em Moçambique tem muito interesse em avançar com o processo de desmobilização, desmilitarização e reintegração das suas forças porque já ficou insustentável para a RENAMO continuar a manter homens armados.

O diálogo entre o Presidente moçambicano e o líder da RENAMO tem sido criticado por estar rodeado de um certo secretismo.

Para Calton Cadeado "apesar de ser contra este modelo de secretismo, parece-me que os resultados estão aí à vista, são incontestáveis. Enquanto os resultados falarem por si próprios não podemos ir contra a mão. Contra factos não há argumentos", concluiu o anlista.

 

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