Moçambique: MDM volta a perder membros para a RENAMO | NOTÍCIAS | DW | 26.10.2020

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NOTÍCIAS

Moçambique: MDM volta a perder membros para a RENAMO

Há mais de dois anos o Movimento Democrático de Moçambique tem vindo a perder quadros e membros. A segunda maior na oposição é acusada de falta de transparência e democracia interna na concorrência a cargos de relevo.

No ato de regresso à Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), maior partido da oposição em Moçambique, um grupo de dissidentes do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) não poupou críticas ao partido de Daviz Simango.

Criticaram a alegada falta de democracia interna e nepotismo no partido. Na última semana, dois antigos integrantes da Comissão Política Nacional do MDM e outros membros e simpatizantes abandonaram o partido - onde militavam há 10 anos - e filiaram-se à RENAMO.

As novas dissidências sucedem a uma outra vaga, quando saíram vários "cérebros" do partido tais como Venâncio Mondlane, Manuel de Araújo e António Frangules. 

Mosambik MDM Partei Geraldo Carvalho

Geraldo Carvalho

Falta de democracia dentro do MDM?

Geraldo Carvalho foi deputado da Assembleia da República, porta-voz do partido e membro da Comissão Política Nacional do MDM. Há alguns dias apresentou-se à delegação da RENAMO na cidade da Beira. Carvalho diz que deixa o MDM com a consciência tranquila, mas com rancor dum partido que se deixou desviar dos interesses públicos. 

Carvalho diz haver falta de democracia interna pelo facto de não se usar termos democráticos para concorrência ou escolha a cargos cimeiros do MDM. 

“Chegou um momento em que decidi que devia regressar para casa. Melhor assim porque estava num ambiente em que não me deixava confortável, um ambiente de pessoas a quem combater a RENAMO era o seu dia-a-dia", justifica.

Regresso do filho pródigo

Carvalho conta ainda que houve interesse de o envolver no assunto da morte do antigo edil de Nampula Mahamud Amurane, que era membro do MDM. "Aí entornou o caldo porque não tem nada que se pareça com uma possível tentativa de me aproximar à morte de Amurane, mas houve essa tentativa.”

“Então, não havia mais nada senão cumprir com o que Dhlakama me pediu, disse-me: meu filho aqui é a sua casa, é aqui onde você nasceu politicamente, é aqui onde deve vir acabar politicamente", conta.

Daviz Simango (MDM) – Wahlen in Beira

Daviz Simango

Geraldo Carvalho foi guerrilheiro da RENAMO. Saiu do partido e regressa agora ao que chama de “casa” após dez anos.

"Eu vou seguir a frente, peço que me deixem seguir em frente. Parem com perseguições, paremos com calúnias. Eu não me sinto mal, voltei para a casa de onde nós todos saímos, de cabeça erguida consciência tranquila e, até certo ponto, com uma dívida no coração que eu devo daqui para frente correr com os irmãos daqui do lado da casa da RENAMO para que este sonho de Dhlakama e André Matsangaisse seja concretizado", apela.

MDM não parece abalado

Na semana passada em Nampula, Maria Moreno - também antiga integrante da Comissão Política Nacional do MDM – filiou-se à RENAMO, também sua antiga "casa". Estas saídas, que acontecem já há mais de dois anos, parecem não abalar o partido, cujos dirigentes preferem não se pronunciar sobre os dissidentes. 

O líder do MDM, Daviz Simango, no início de outubro - no decurso de uma reunião nacional de quadros do “partido do galo”- reafirmou a coesão e o desenvolvimento rápido que se verifica no partido em tão pouco tempo de existência.

Nampula, Mosambik - Maria Moreno

Maria Moreno

No que tange às saídas, Simango disse que todos que abandonaram o MDM são aventureiros que lá iam fazer papel individual e não da coletividade.

"Isto é a juventude. Homens e mulheres agarram-se hoje ao MDM porque lhes dá garantias. Daí termos de decidir se temos de optar por protagonismos individuais ou pelo trabalho coletivo e de equipa no processo de consolidação de grandes sucessos alcançados na luta por um Moçambique para todos”, interpreta Simango.

O líder do MDM acrescenta que os membros do partido têm de ter a consciência de quanto foi difícil chegar onde chegaram.

“Temos colegas que ficaram pelo caminho porque as suas ambições individuais não se realizaram como tinham planificado. Temos companheiros com o cinto apertado, sem recurso, sem esperança, sem refeições, mas os que adiantaram com certas mordomias esquecem-se de que a casa precisa de ser alimentada para engrandecimento de número de oportunidades", acusa.

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