Moçambique: Garimpo continua a matar nas minas da Zambézia | Moçambique | DW | 16.01.2020
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Moçambique

Moçambique: Garimpo continua a matar nas minas da Zambézia

11 garimpeiros morreram nas últimas semanas no distrito de Gilé. Há vários anos que se registam acidentes na região e os críticos dizem que a culpa é da falta de controlo do Governo. Autoridades admitem dificuldades.

Foto ilustrativa: Mina de carvão ilegal em Moatize

Foto ilustrativa: Mina de carvão ilegal em Moatize

Cinco garimpeiros morreram no final de dezembro na região de Muiane, distrito de Gilé, devido à explosão de uma motobomba enquanto estavam a garimpar. Na semana passada, outras seis pessoas morreram na sequência de um desabamento de terras. Segundo a polícia, os seis eram garimpeiros ilegais.

"Em Gilé, ocorreu um desabamento de terra na extinta empresa Tantalum Mineração, tendo vitimado mortalmente seis indivíduos e ferido gravemente cinco. Foram encaminhados para o hospital provincial de Nampula. Os garimpeiros eram ilegais e, sabendo do desuso da mina, foram até lá sem equipamento de segurança", explica Sidner Lonzo, porta-voz da polícia na Zambézia.

A terra, de acordo com a polícia, terá desabado devido às fortes chuvas que caem na província desde o início do mês. As autoridades pedem, por isso, à população que não se desloque "a qualquer mina que esteja em uso ou em desuso sem a devida autorização e sem os devidos equipamentos".

Falta de fiscalização

O problema não é novo na região. Há anos que garimpeiros ilegais arriscam a vida na antiga mina da Tantalum Mineração, que explorava tantalite. A empresa foi obrigada a abandonar a região há cinco anos, depois de uma rebelião popular, na sequência da morte de um garimpeiro local. Muitos dos garimpeiros são jovens que não vão à escola para explorar a mina.

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Moçambique: Garimpo continua a matar nas minas da Zambézia

Dionísio Graciano, membro da Plataforma G20, que junta 40 organizações da sociedade civil, diz que o fraco controlo das autoridades é a principal causa das mortes nas minas da região.

"Nos últimos anos, [na Zambézia], há uma maior exploração dos recursos minerais a vários níveis, caso das areias pesadas e diamantes", lembra, sublinhando que o país "tem leis e decretos que visam a salvaguarda de todos os direitos".

Mas isto não basta, segundo Dionísio Graciano: "Considero estratégica a necessidade de uma monitoria regular que visa auferir o nível da natureza de trabalho e os equipamentos a que os trabalhadores desse setor são expostos. Não há uma boa estratégia para acabar com os acidentes na mina de Muiane, no Gilé".

O diretor provincial dos Recursos Minerais da Zambézia, Almeida Manhiça, afirma que é difícil acabar com os acidentes nas minas, tendo em conta que alguns garimpeiros vão à noite aos locais, escapando ao controlo das autoridades. Segundo o dirigente, a maioria dos acidentes acontece na área concessionada à empresa Tantalum Mineração.

"Os garimpeiros, em princípio, não são autorizados a fazer garimpo numa área concessionada, se se recorda aquela situação de 2015 em que, no âmbito da monitoria e controlo da área, foram detetados e acidentalmente acabou morrendo um. Sempre às escondidas, não foram autorizados por ninguém, a área de mineração é grande e fazem tudo às escondidas", frisa.

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