Moçambique e África do Sul juntos contra a caça de rinocerontes | MEDIATECA | DW | 19.06.2013

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MEDIATECA

Moçambique e África do Sul juntos contra a caça de rinocerontes

Além dos animais, mortos porque seus cornos valem milhares de dólares, também pessoas são assassinados por policias do patrulhamento dos parques nacionais onde a caça furtiva acontece. Governos resolveram agir.

Caçadores furtivos abateram mais de dois mil rinocerontes no Parque Nacional do Limpopo, na fronteira de Mocambique com a África do Sul. Os números correspondem ao período de 2008 até a atualidade.

Nos últimos anos, pelo menos 15 moçambicanos foram mortos pela polícia sul-africana, quando tentavam caçar rinocerontes. Outros 13 estão a espera de julgamento.

Agora, o cenário foi analisado pelos governos da África do Sul e de Moçambique. A conclusão foi a necessidade de se trabalhar mais com as comunidades envolvidas.

Profissão caçador

Moçambique e África do Sul estão preocupados com a caça furtiva no Parque transfronteiriço de Limpopo, que abarca os dois países e o Zimbábue. A maioria dos caçadores furtivos são moçambicanos naturais do distrito de Magude, no noroeste da província sulista de Maputo, e vivem no recinto do parque.

A prática da caça é protagonizada principalmente por jovens. Com armas de fogo do tipo AKM, eles abatem os animais. Muitas dessas pessoas deixam de estudar para se dedicar à caça ao rinoceronte.

O ministro do Turismo de Moçambique, Carvalho Muária, esclareceu que as autoridades do distrito de Magude e da província de Maputo já estão a fazer um trabalho de sensibilização das comunidades e dos jovens.

O negócio dos rinocerontes

Os caçadores matam rinocerontes para extrair-lhes o chifre que têm um alto valor comercial, no mercado asiático. Um quilograma custa 70 mil dólares. O chifre do rinoceronte adulto pesa entre 15 a 17 quilos.

Carvalho Muária acredita que há muita gente envolvida neste processo. Na opinião dele, trata-se de um grupo criminoso organizado e os moçambicanos são aliciados.

A ministra sul-africana do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Edna Molewa, falou da necessidade de criar condições para reassentar comunidades que vivem no parque, para melhor controlar os caçadores.

"Os nossos colegas de Moçambique têm um programa de reassentamento das populações que vivem dentro do parque. Estas comunidades deverão estar em lugares fora do parque para a sua segurança. Assim, poderemos controlar melhor os caçadores. O parque vai igualmente continuar a apoiar as comunidades como tem estado a fazer agora."

Procura por soluções

No lado sul-africano do parque transfronteiriço, trava-se uma verdadeira guerra. No início deste ano, os caçadores abateram um helicópetero da polícia sul-africana que fazia o patrulhamento.

Agora, a polícia atira para matar quando suspeita da presença de caçadores no recinto. Na opinião da administradora do distrito de Magude, Cristina Mafumo, o cenário tende a mudar.

"Com as mortes que tivemos nos últimos três trimestres, os próprios [caçadores] já estão começando a mudar de ideia. Vamos continuar trabalhando com as comunidades. Não só com os jovens, mas também com os pais e educadores", explica a Mafumo. Ela comenta que é inaceitáveil que um jovem de 17 anos, em idade escolar, seja morto no parque. "Qual é o papel do encarregado da educação", questiona a administradora do distrito de Magude.

Em Moçambique, os caçadores furtivos, quando detidos pelas autoridanes, são liberados após o pagamento de multas. Já na África do Sul, a prática resulta em pesadas penas de prisão.

Os caçadores que vivem no recinto ou arredores do parque comprarm carros de luxo e construíram residências glamurosas.