Moçambique: Crianças vendem nas ruas para pagar material escolar | Moçambique | DW | 16.02.2018
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Moçambique

Moçambique: Crianças vendem nas ruas para pagar material escolar

Passaram duas semanas desde o início do ano letivo, mas muitas crianças ainda não foram às aulas. Em Quelimane há crianças nas ruas a vender temperos de cozinha e plásticos, para comprar comida e material escolar.

Crianças no comércio informal em Quelimane, província central da Zambézia

Crianças no comércio informal em Quelimane, província central da Zambézia

Em vez de irem às aulas, na escola primária, crianças ficam a vender caldo e plásticos nos mercados de Quelimane. Algumas crianças contam que estão por sua conta e risco, e, antes de tudo, têm de ter dinheiro para comer.

"Vendo plástico a 3, 5 e 15 meticais. O negócio vai mal. Não há movimento. Só estou a tentar, porque não tenho pai, nem mãe", conta uma delas.

Outra criança ainda consegue ir à escola: "Frequento a 7ª classe. Aqui consigo comprar canetas e cadernos."

Um menino conta que os pais não têm dinheiro suficiente para comprar o material escolar: "Já comprei cadernos, canetas e uniforme. Falta-me apenas o caderno de desenho. Faço isso porque o meu pai é camponês."

Vender na rua nem sempre é mal visto

A encarregada de educação Aida Ambale lembra que, de facto, nem todos os pais e encarregados de educação conseguem sustentar as crianças. E o dinheiro extra é bem-vindo.

Mosambik Überbelegung Schulen in Zambezia

Uma sala de aulas superlotada em Quelimane

"Com a crise que, hoje em dia, estamos a passar não tem como. Apoio esta ideia, desde que as crianças estudem e saibam dividir o seu tempo para a escola e para fazer negócio", opina Aida Ambale.

Mas Decrescia Emílio, residente em Quelimane, está contra o trabalho infantil e critica o Governo por não fazer mais para ajudar as famílias.

Ele também lembra que "os pais não conseguem sustentar seus filhos. A vida está muito cara, o desemprego está exagerado e isso obriga as crianças a estarem na rua. Muita gente está desempregada, não consegue encontrar o pão de cada dia e as crianças saem de manhã atá a tarde, sem comer nada. Não há maneira de ir a escola, porque não há dinheiro."

Pais violam os direitos das crianças?

Já o chefe do departamento da criança e género na Direção Provincial da Ação Social da Zambézia, Eusébio Sulude, acusa os pais e encarregados de educação de violarem os direitos das crianças, ao permitirem que elas estejam nas ruas a vender produtos.

Ouvir o áudio 02:30

Moçambique: Crianças vendem nas ruas para pagar material escolar

"A criança não pode substituir o trabalho dos pais. O pai deve fazer o seu trabalho e a criança deve gozar de seus direitos", defende Eusébio Sulude.

O o chefe do departamento da criança e género na Direção Provincial da Ação Social da Zambézia, sublinha ainda que a orfandade não é motivo para não ir à escola. E, mais uma vez, culpa as famílias: "Temos programas do Instituto Nacional de Ação social (INAS) para ajudar as crianças órfãs. Não há motivos para usar a capa de orfandade; as famílias não querem exercer o seu papel."

A discussão prossegue, e as crianças continuam nas ruas, a vender produtos. "Estou a tentar. Já comprei uniforme e cadernos. Em 2017 estava na 8ª e passei para a 9ª classe. O meu sonho é ser enfermeiro", revela uma criança.

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